Jacarta, 19 (AE-AP) - Uma bomba explodiu hoje em Jacarta, no porão da maior mesquita do sudeste asiático, fato que foi considerado pelo presidente indonésio como uma tentativa para piorar a já sangrenta violência religiosa que infesta o país em crise.
Três homens ficaram feridos. Houve notícias não confirmadas de três mortes.
Mais de 20 escritórios, incluindo a sede de uma influente organização islâmica conservadora, foram danificados pela explosão sob a mesquita Istiqlal no centro da capital, disseram testemunhas e oficiais.
O presidente B.J. Habibie, a polícia e líderes islâmicos pediram calma. "Esta ação pode levar ao conflito entre religiões diferentes", disse o presidente numa declaração. "As pessoas, principalmente os muçulmanos, não devem sentir-se provocados pela bomba", aconselhou. Habibie reza regularmente na mesquita.
Mais de 90 por cento dos 210 milhões de indonésios são muçulmanos, o que faz da Indonésia a maior nação islâmica do mundo.
A explosão de hoje ocorre após meses de escalada da violência religiosa entre a maioria muçulmana e as minorias cristãs. Centenas de pessoas foram mortas nos últimos meses.
Ela também precede eleições parlamentares cruciais a serem realizadas no dia 7 de junho.
Segundo testemunhas, mais de 600 pessoas estavam rezando na ala principal da mesquita vários andares acima, quando a explosão ocorreu, por volta das três da tarde, horário local.
A polícia informou que ninguém assumiu a responsabilidade pelo ataque.
Immam Budiman, que trabalha na mesquita, disse que grande número de pessoas que estavam lendo o Corão, livro sagrado dos muçulmanos, sairam correndo da mesquita, que teve janelas estraçalhadas, pilares rachados e paredes danificadas.
A mesquita com cúpula branca, símbolo do orgulho dos muçulmanos indonésios, fica a menos de um quilômetro do palácio presidencial, perto de uma estação de trem movimentada e do monumento nacional de Jacarta. Milhares de pessoas a visitam diariamente.
"Esta é uma tentativa de arruinar a harmonia religiosa da Indonésia", disse o major general Nugroho Djayusman depois da explosão.
"Acredito que alguém quer provocar a violência entre muçulmanos e cristãos e entre vários grupos étnicos", disse Adang Syafaad, o gerente da mesquita.
Tensões étnicas e religiosas fervem na Indonésia há 11 meses, desde a renúncia do ex-presidente autoritário Suharto, que cruelmente usava a força do Exército para controlar as agitações. A violência tem sido alimentada pela contínua incerteza política e pela pior crise econômica do país em 30 anos.

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