Belo Horizonte
A Polícia Civil tinha, até a tarde de ontem, cinco suspeitos do assassinato do estudante Claudemir da Silva Reis, de 17 anos, ocorrido quarta-feira à noite, no intervalo da partida entre Cruzeiro e Vasco da Gama, no Mineirão. Segundo o delegado João Bosco Guimarães, que preside o inquérito, todos são integrantes da torcida cruzeirense ‘‘Máfia Azul’’: Flávio Ricardo de Menezes, de 29 anos, e Ricardo Duarte, de 20 - únicos detidos, após a confusão -, dois rapazes identificados apenas como ‘‘Musse’’ e Carlos e um quinto homem, considerado o mais provável criminoso e cujo nome não foi divulgado.
‘‘Um deles pode ter jogado a bomba que atingiu o estudante, mas só vamos pedir decretos de prisão à Justiça quando tivermos fortes indícios de autoria’’, disse o policial. Claudemir, que era atleticano fanático, assistia ao jogo junto com os torcedores vascaínos. Ao fim do primeiro tempo do jogo, que registrou um público de cerca de 13.700 pagantes, ele e dezenas de companheiros foram para o Bar 33, no corredor que contorna o estádio, para tomar refrigerantes.
Um grupo da ‘‘Máfia Azul’’ apareceu e, embora mantido a uma distância de 25 metros por um cordão de isolamento, da Polícia Militar, começou a trocar insultos com os adversários. Na confusão, um dos cruzeirenses lançou o artefato, de fabricação caseira, contra os rivais. Segundo a perícia, a bomba era, provavelmente, uma bola de sinuca perfurada e recheada de pólvora e espoleta. Com o impacto, Claudemir teve o tórax aberto e perdeu o fígado. Ele chegou a ser levado com vida para o Pronto Socorro do Hospital João XXIII, na região central de Belo Horizonte, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no início da madrugada.
A PM, que anteontem, curiosamente, anunciara a inauguração de um novo esquema de segurança para os jogos no Mineirão, com a disponibilização de um maior efetivo, isentou-se de responsabilidade no caso. ‘‘Como sempre, centenas de policiais participaram do trabalho de varredura, para evitar a presença de bombas e armas entre os torcedores’’, disse o major Vítor Fernandes, comandante de policiamento no estádio. ‘‘Acredito que as medidas de segurança estão cada vez mais próximo de 100%, mas ainda não atingimos os 100%’, acrescentou.

mockup