Uma forte explosão destruiu parcialmente uma loja do McDonald's no centro do Rio, na madrugada de ontem. O impacto foi tão grande que estilhaços do artefato, colocado na entrada da lanchonete, danificaram as portas e os letreiros de cinco lojas e quebraram todas as janelas de um prédio de quatro andares localizados em frente.
Segundo testemunhas, dois homens foram vistos deixando uma mochila em uma das entradas do McDonald's. Minutos depois, por volta das 3h30, ouviu-se a explosão e o tremor pôde ser sentido a até 200 metros do local. O explosivo destruiu as duas portas de vidro e o letreiro do McDonald's. As placas de gesso do teto caíram. Ninguém se feriu.
No momento da explosão, apenas duas funcionárias trabalhavam na contabilidade da loja, no primeiro andar do prédio, que fica em cima da lanchonete. ''Nós ouvimos o barulho e ficamos muito assustadas, mas, quando descemos, não tinha ninguém por perto'', contou Flávia Nunes.
A primeira equipe de peritos e do Esquadrão Antibombas chegou por volta das 4h30. Eles recolheram pregos, pólvora e pedaços de ferro. O perito Egberto Cabral disse que encontrou fragmentos de origem militar. ''Recolhi estilhaços com inscrições militares, mas só depois de uma análise mais profunda poderemos dizer a origem da bomba.'' Segundo ele, o explosivo tinha alto poder de destruição e poderia matar se houvesse gente no interior ou em frente à lanchonete.
O secretário de Segurança Pública do Estado, Josias Quintal, negou que tivessem sido coletados fragmentos de artefato militar. Segundo ele, o explosivo era ''material artesanal''. ''O dispositivo de disparo é pirotécnico (pavio simples), não relacionando as pessoas que fizeram isso com alguma organização mais sofisticada'', disse. Quintal também informou que o explosivo encontrado foi TNT (dinamite).
Para o secretário, ''grupos oportunistas'' estão tentando gerar pânico na cidade, aproveitando a conjuntura de tensão internacional. ''Foi um ato de alguém interessado em criar um clima de instabilidade e pânico'', disse. ''O horário em que foi colocada a bomba e as circunstâncias da ocorrência indicam que não havia intenção de ferir ninguém.''
Comerciantes do local acham que a explosão pode estar relacionada a um protesto ocorrido na terça-feira, quando dezenas de punks fizeram uma manifestação em frente à loja pelo que chamavam de Dia Internacional de Boicote ao McDonald's. Eles carregavam cartazes com dizeres como ''Parem o massacre'' e ''Hambúrguer mata'', e distribuíam sopa e angu para os que passavam.
Às 12h30, o McDonald's foi reaberto para o público, sob aplausos dos funcionários. A lanchonete ficou lotada de curiosos. Por volta das 17 horas, o Esquadrão Antibombas foi chamado novamente, por causa de uma pasta preta deixada sobre uma lixeira ao lado da loja. A área foi isolada e a mala explodida. Depois, a polícia descobriu que se tratava de um trote: a pasta estava cheia de papel e algodão dentro.
A assessoria de imprensa do McDonald's informou que não encara a explosão como um atentado contra a rede, porque o objeto foi colocado no passeio público. A empresa também disse que não irá reforçar a segurança nas demais lojas.

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