Uma bomba explodiu ontem de madrugada dentro da Central Elétrica do Porto de Santos (72 km de São Paulo), situada a cerca de 200 metros do prédio da presidência da Codesp (estatal administradora do porto).
É o segundo atentado contra instalações da Codesp desde o início da greve dos estivadores. No último domingo, uma torre de sustentação dos cabos de transmissão de energia elétrica para o porto tombou porque teve dois de seus pilares serrados.
O fornecimento de energia para o porto não foi interrompido. No caso da central, a bomba, atirada por volta das 4h20 por uma janela, caiu no corredor dos transformadores, mas não atingiu o equipamento.
No momento da explosão, dois funcionários da Codesp estavam de plantão, mas nada sofreram. A bomba produziu um buraco no chão e quebrou vidros internos e externos do prédio.
Ontem, a empresa concluiu os reparos na base da torre de transmissão.
A central atingida pela bomba recebe energia da usina de Itatinga, da Codesp, e a distribui para toda a margem direita do porto (lado de Santos). A torre atingida no domingo fica na margem esquerda (lado do Guarujá).
A Polícia Civil apura os dois casos. Um grupo de especialistas fez uma perícia no local para tentar identificar os responsáveis. O Sindicato dos Estivadores de Santos nega que trabalhadores sejam os autores dos atentados.
Também na madrugada de ontem, um homem foi detido pela Polícia Militar, sob acusação de tentar atear fogo ao armazém 7-A externo, próximo ao armazém 23 interno, onde os estivadores costumam realizar suas assembléias.
Tribunal O Tribunal Regional do Trabalho considerou abusiva a paralisação dos estivadores no Porto de Santos. A greve dos estivadores começou na terça-feira passada, quando entraria em vigor a escalação sob comando do Ogmo (Órgão Gestor da Mão-de-Obra).
Além de ordenar o imediato retorno ao trabalho, o TRT-SP duplicou para R$ 100 mil o valor da multa diária por descumprimento da decisão do tribunal.
Para a Força Sindical, que está ao lado dos estivadores, os juízes do TRT-SP não souberam analisar a situação. Para tentar reduzir o peso do julgamento sobre a categoria, os estivadores se reúnem amanhã na Procuradoria Geral do Trabalho.
O objetivo é ganhar 30 dias de trégua na negociação dos estivadores com os operadores portuários.

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