Pristina, 22 (AE-AP) - Os primeiros soldados de paz mortos em Kosovo estavam ajudando moradores a colocar bombas de fragmentação não explodidas da Otan em pilhas para posterior destruição, disseram militares britânicos nesta terça-feira (22).
O tenente Gareth Evans e o sargento Balaram Rai foram os primeiros a morrer desde que tropas da missão de paz liderada pela Otan entraram em Kosovo em 12 de junho. Dois dos moradores que eles haviam convocado para ajudá-los também morreram na explosão, e um terceiro ficou ferido.
O tenente-coronel Nick Clissitt, porta-voz do da força de paz britânica, disse que a explosão foi provocada por uma bomba de fragmentação que a Otan lançou em Kosovo durante a campanha de bombardeio contra a Iugoslávia do presidente Slobodan Milosevic.
"Essas munições visavam a destruir forças sérvias num campo que era um bastião do exército e da polícia paramilitar sérvios", afirmou ele. A explosão ocorreu em Negrovce, 30 quilômetros a oeste de Pristina.
Clissitt disse que moradores encontraram artefatos não detonados e os empilharam nas proximidades de uma escola antes de chamar os soldados de paz para removê-los. Quando os militares do 69º Esquadrão de Campo Gurka apareceram, eles sugeriram explodir a pilha.
Mas os moradores temeram que a explosão pudesse danificar a escola e concordaram em ajudar os soldados de paz a levar as bombas para três pilhas menores a pouca distância, a fim de provocar pequenas explosões.
"Foi enquanto estavam no processo de preparação que duas pilhas detonaram prematuramente com resultados trágicos", disse Clissitt.
Hoje, soldados de paz britânicos desarmaram uma bomba a apenas 30 metros do Grand Hotel, o maior hotel da capital de Kosovo e que abriga a maioria dos visitantes estrangeiros, informou a agência estatal de notícias Tanjug. Não ficou claro quem colocou a bomba.
Apesar de bombas não detonadas, campos minados não limpos e armadilhas ainda apresentarem grandes riscos em Kosovo, refugiados estão desconsiderando advertências de agências internacionais para ficarem em seus campos até que o perigo seja reduzido.
O Acnur estima em 180.000 o número de albaneses étnicos que já voltaram a Kosovo. Só na segunda-feira, 37.000 cruzaram postos fronteiriços na Albânia e na Macedônia. Oitocentos mil ainda permanecem em campos nos dois países. Por outro lado, a violência continua contra os sérvios de Kosovo.
Em Obilic, foram encontrados os corpos de seis sérvios que tinham sido sequestrados por rebeldes do ELK. O Centro de Mídia de Pristina divulgou que mais de 140 sérvios e montenegrinos já foram sequestrados por rebeldes albaneses desde que a Otan entrou na província há 12 dias.
Segundo a agência iugoslava Beta, quatro sérvios foram assassinados em Novo Brdo. O bispo ortodoxo de Pec, Filoquio, acusou o ELK de sequestrar e assassinar civis, ocupar hospitais, expulsar pacientes sérvios para pôr albaneses étnicos no lugar e ameaçar médicos e enfermeiros.
Em Pristina, um sérvio foi baleado quando entrava numa loja para comprar alimentos.

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