Rio, 16 (AE) - Uma bomba de fabricação caseira de baixa potência - uma cabeça-de-negro - explodiu hoje de manhã no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow (Cefet), no Rio, assustando alunos, professores e funcionários. Ninguém ficou ferido. É o quinto caso do tipo em sete meses no centro. O mais grave, que aconteceu ano passado, teve como vítima a professora Maria de Fátima de Oliveira Pascarelli, de 46 anos. Ela teve a mão direita arrancada com a explosão de uma bomba. O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, que esteve de manhã no Rio, lamentou o episódio e disse que a direção da escola deve investigar o caso com a ajuda da Polícia Federal.
"Tenho a impressão de que deve ser um foco muito localizado, que não foi descoberto ainda, de algum aluno, funcionário ou professor com uma personalidade psicopática", declarou. "Esse grupo de pessoas está aterrorizando o Cefet, mas não acredito que seja uma coisa generalizada". A PF ainda não concluiu o inquérito sobre o caso da professora, mas suspeita de que o artefato teria sido endereçado a ela por ex-alunos.
A bomba de hoje, que explodiu às 8h40, foi colocada atrás de um bebedouro, próximo ao laboratório de informática, no corredor do segundo andar do bloco E do prédio de engenharia, onde estudam 1,6 mil alunos. Na hora da explosão, porém, não havia ninguém no corredor. "Ouvimos um barulho forte, vimos uma fumaça, mas não tinha ninguém", contou o professor Lourival Moreira, de 37 anos. "Ficamos preocupado com a possibilidade de haver alguém machucado", completou o estudante Antônio Barcelos
de 18 anos.
O vice-diretor do Cefet, professor Sérgio Ferreira, acredita que o episódio de hoje não tem nenhuma relação com o caso da professora Maria de Fátima. Ele afirmou que o cabeça-de-negro foi colocado, provavelmente, por "alguém que está querendo prejudicar a imagem do colégio". "Ele chegou a ligar para a imprensa, dizendo que colocaria a bomba", contou. Segundo disse, dez minutos depois da explosão, já havia jornalistas no pátio do Cefet. Uma equipe do Esquadrão Anti-Bombas da Polícia Civil e do 6ª Batalhão da PM (Tijuca) chegaram a ir à escola. A direção do Cefet também fez um comunicado oficial à Polícia Federal. Ferreira reconheceu que o clima interno é de "intranquilidade". "Em toda a sua história
o Cefet sempre se destacou por ser uma escola pacífica, infelizmente, de uns tempos pra cá, nossa paz vem sendo quebrada", lamentou. O vice-diretor argumentou, porém, que a escola não tem se descuidado da segurança. A direção do Cefet gastou R$ 15 mil com oito câmeras de vídeo, que começaram a ser instaladas essa semana nos corredores e nos dois principais portões de acesso à escola. Nos últimos anos, o colégio transformou-se em um mini-shopping center, onde funcionam uma restaurante uma lanchonete, duas agências bancárias e uma papelaria. Estima-se que 10 mil pessoas passem por ali diariamente.
No pátio, 50 inspetores circulam munidos de walkie-talkies. Eles foram especialmente treinados pelo Esquadrão Anti-Bombas para identificar qualquer material suspeito. O diretor do grêmio estudantil, Bruno Luís Santos, do terceiro ano de Eletrotécnica, reclama, no entanto, da falta de fiscalização de quem entra e sai da escola. "Eles não cobram sequer a carteirinha de estudante", disse. "Apesar das medidas de segurança da direção, ainda nos sentimos inseguros".

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