Bomba caseira mata pai de policial
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terça-feira, 06 de junho de 2000
Agência Estado De Campinas, SP 
Uma bomba de fabricação caseira matou ontem o aposentado Aristeu Brochi, de 69 anos, em Americana, na região de Campinas, interior de São Paulo. A vítima era pai do investigador Adnei Brochi, que anteontem participou da ação policial que pôs fim ao sequestro de seis pessoas na cidade de Socorro. No confronto com os policiais, três sequestradores morreram, entre eles o chefe da quadrilha, Ronaldo Adriano Oliveira, integrante da chamada Família Oliveira, que vinha aterrorizando a região com uma onda de sequestros. A polícia suspeita de vingança.
A bomba foi deixada na garagem da casa do investigador, que mora com os pais, no bairro São Manoel. Uma pedra atirada na janela da frente atraiu a atenção do aposentado, que saiu para ver o que era. O artefato, montado dentro de um extintor de incêndio, estava sob uma lata de tinta e explodiu assim que a vítima o tocou. Brochi foi socorrido mas morreu antes de chegar ao hospital.
A perita do Instituto de Criminalística (IC) de Campinas, Cristiane Faria, disse que os autores do atentado usaram pólvora e esferas de metal para fazer a bomba. Apesar de artesanal, era um artefato sofisticado e de alto poder de destruição. Segundo ela, apenas o deslocamento de ar provocado pela explosão seria capaz de matar a vítima. Quem montou a bomba conhecia bem essa técnica, acrescentou.
Apesar de o atentado ter ocorrido um dia depois da morte dos três sequestradores, a polícia descarta uma possível relação entre os dois crimes. Tenho a convicção pessoal de que a explosão da bomba nada tem a ver com a família Oliveira, afirmou ontem o delegado seccional de Campinas, Djahy Tucci Júnior, que coordenou a operação para libertar os reféns em Socorro. Para ele, o atentado foi um ato de vingança contra o investigador praticado por outros bandidos.
O delegado seccional de Americana, Paulo Jodas, também duvida da participação da família Oliveira no atentado. Segundo ele, o investigador vinha recebendo ameaças e já havia sofrido outros atentados. Ele é um dos melhores investigadores da região e vinha ajudando a prender muitos traficantes, disse o delegado. Ele garantiu, porém, que todas as hipóteses serão investigadas.


