Bomba caseira explode em ônibus urbano de Sorocaba, SP
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de dezembro de 1999
Por José Maria Tomazela 
Sorocaba, SP, 17 (AE) - Uma bomba de fabricação caseira explodiu, na madrugada de hoje (17), no interior de um ônibus da empresa TCS Transportes Coletivos Sorocaba, permissionária do sistema público de transporte urbano. O coletivo, que faz a linha do Parque Vitória Régia, estava vazio e tinha acabado de chegar na garagem da empresa, na Avenida Ipanema, zona norte da cidade. A explosão da bomba destruiu bancos, vidros laterais e abriu rombos no piso e lataria do ônibus. O motorista Benedito Aparecido Antunes estava a poucos metros do local quando ouviu o estrondo.
Outro ônibus da mesma linha foi atacado a pedras e, provavelmente, tiros quando transportava passageiros.Quando vistoriava o veículo, a Polícia Militar encontrou outro artefato intacto. O ônibus foi rebocado para o quartel da PM, no Cerrado. Policiais do Grupamento de Ações Táticas Especiais (Gate) desarmaram o equipamento e o encaminharam para análise em em São Paulo.Segundo o sargento José Alberto, um dos peritos do Gate, o artefato foi construído com bateria de motocicleta.
Os ataques ocorreram quatro dias depois do atentado ao presidente da Cooperativa de Motoristas e Usuários do Transporte Alternativo (Coopvus), Edilson Medeiros de Freitas. Ele foi atingido por um tiro, depois de ter sido atraído para fora de casa, à noite. O líder dos perueiros continuava internado hoje no Hospital Regional. A polícia acredita que os dois episódios estão relacionados com a disputa entre ônibus e donos de lotações pelo transporte de passageiros. O trabalho dos perueiros é considerado clandestino pela prefeitura, que tem se negado a regulamentá-lo. Segundo a prefeitura, os perueiros não apresentaram projeto para participar do transporte.
O advogado da TCS, Alberto Haddade, disse que a empresa intensificará a vigilância sobre a frota. Ele disse ter estranhado o fato dos ataques contra os ônibus terem acontecido um dia depois que representantes dos perueiros anunciaram que iriam radicalizar. O presidente da Associação dos Perueiros de São Paulo, Laércio Ezequiel dos Santos, dissera ontem que o clima de tensão gerado pela repressão ao trabalho das peruas em Sorocaba poderia acarretar conflitos. "Se houver ações violentas, vai haver revide e podemos preparar os caixões", alertou.


