Londrina - A boa política de saneamento básico depende da vontade do prefeito. É o que afirma o presidente executivo do Instituto Trata Brasil, Edson Carlos. "O saneamento é uma decisão local, depende da ênfase que o prefeito dá para o assunto. Mesmo nas cidades operadas por empresas estaduais, como a Sanepar aí no Paraná, quem tem que dar o ritmo é o prefeito, porque as empresas são prestadoras de serviço, não mandam no saneamento da cidade. Muitos prefeitos acabam se escondendo atrás dessas concessões, repassando a culpa para a empresa como se não tivessem nada a ver com isso", alerta.
Segundo ele, nem mesmo a dificuldade financeira de muitos municípios, especialmente os com menos de 50 mil habitantes, pode ser uma desculpa para a má gestão na política municipal de saneamento básico. "Claro que as cidades menores têm mais dificuldades técnicas e operacionais, têm menos recursos, mas há muitas cidades pequenas e médias fazendo um belíssimo trabalho em saneamento. Hoje não dá mais para aceitar um país desse tamanho com cidades que não tenham nada", ataca.
A gerente de planejamento da Sanepar, Cristiane Schwanka, afirma que a estatal prestou consultoria técnica para a maioria dos 229 municípios atendidos pela empresa que elaboraram seus planos municipais de saneamento básico. Boa parte das pequenas cidades, afirma ela, tem dificuldades de constituir os conselhos de controle social "pela falta de qualificação técnica dentro dos quadros da prefeitura e na própria comunidade. Muitos municípios passam essa atribuição aos conselhos de saúde, que já estão acostumados aos trâmites, às realizações das audiências públicas. Até porque o saneamento básico é uma atividade vinculada à saúde pública", pontua.
Para o presidente da Associação dos Municípios do Paraná, Luiz Sorvos, quase a totalidade dos municípios com gestão própria de saneamento tem seu conselho constituído "porque são os que têm mais interesse em receber recursos federais para obras de investimento no sistema." Ele afirma que o ideal é que um maior número de municípios pudesse assumir os serviços de tratamento de água e esgotamento sanitário. "Isso barateia a tarifa e reflete em retorno de investimentos para o próprio município", argumenta. (D.P.)

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