Pittsburgh, 02 (AE-AP) - As pessoas que mantêm o bom humor e uma atitude positiva estão menos propensas a voltarem a ter problemas cardíacos, informa um estudo publicado hoje (02) pela revista Psychosomatic Medicine. A pesquisa foi baseada no acompanhamento de quase 300 pacientes que foram submetidos a uma angioplastia - operação no qual se introduz um mecanismo para desobstruir uma veia bloqueada. Os pacientes com complexo de inferioridade, menos otimistas e que sentiam-se impotentes em controlar suas vidas mostraram maior propensão de sofrer uma nova obstrução arterial seis meses depois da operação, em comparação com aqueles que demonstravam atitudes mais positivas, diz o estudo. "Nossas pesquisas indicam que os médicos puderam identificar aquelas pessoas mais propensas a ter problemas subsequentes e até mesmo monitorar seu comportamento", afirmou a diretora do estudo Vicki Helgeson, professora de psicologia da Universidade de Carnegie Mellon. Os pesquisadores entrevistaram 292 pacientes que se submeteram a uma angioplastia para medir seus níveis de autoestima, otimismo e controle. Os pacientes foram separados em três grupos com base nos resultados. Em seis meses, o acompanhamento revelou que 20% dos pacientes voltaram a sofrer de novo problema de bloqueio nas artérias, numa condição conhecida como "restenosis". De acordo com o estudo, no grupo que apresentava os melhores níveis de ânimo, menos de 10% tiveram problemas cardíacos reincidentes. Já no grupo que exibia os piores estados de ânimo, o índice de reincidência subia para 29%. Helgeson disse que procurou por outros indicadores, tais como idade, educação, ocupação e raça, porém, nenhum mostrou uma correlação tão forte como a do estado de ânimo. No entanto, o estudo tem suas limitações. Os pesquisadores puderam apenas coletar dados em pacientes que mostravam "restenosis" - sendo que outros poderiam ter experimentado tal condição sem saber ou dar informações aos médicos. Para Martha Hill, professora da Escola de Enfermaria da Universidade Johns Hopkins e ex-presidenta da Associação de Estudos Cardíacos, o estudo demonstra a necessidade de tomar em consideração os fatores psicológicos e sociais na hora do tratamento.

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