Imagem ilustrativa da imagem Bolsonaro promete acabar com radares móveis nas estradas na próxima semana
| Foto: PRFPR/Divulgação

Curitiba - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nessa segunda-feira (12) que pretende acabar com os radares móveis nas estradas brasileiras. A declaração ocorreu em uma cerimônia de liberação de um trecho de 47 quilômetros de duplicação da BR-116 em Pelotas, no Rio Grande do Sul. “É só eu determinar à PRF (Polícia Rodoviária Federal) que não use mais”, declarou, ao ser questionado sobre como eliminaria os radares.

“Estou com uma briga na Justiça, junto com o ministro Tarcísio Gomes de Freitas, da Infraestrutura, para acabar com os radares móveis do Brasil", disse o presidente.

“Isso é coisa de uma máfia de multas, é um dinheiro que vai para o bolso de poucos aqui no Brasil, é uma indústria de multas”, prosseguiu. E prometeu: “A partir da semana que vem, não teremos mais essa covardia de radares móveis no Brasil”. Essa covardia, de ficar no 'descidão', de ficar no final do 'retão', alguém atrás do mato para multar vocês, não existirá mais", prometeu Bolsonaro.

Mais risco

O presidente da Abeetrans (Associação Brasileira das Empresas de Engenharia de Trânsito), Silvio Médici, disse à FOLHA que ainda aguardava detalhes sobre a “extensão” da medida. Reiterou, contudo, que a retirada de qualquer instrumento de fiscalização gera preocupação entre especialistas — inclusive dentro do governo.

“O pano de fundo dessa discussão é a quantidade de mortos e lesionados que há no país e o alto custo disso para o governo, que é, no fundo, quem paga a conta”, disse. “O que deveríamos estar discutindo é como reduzir isso”, defendeu.

Segundo Médici, a medida significará um afrouxamento da fiscalização e, consequentemente, aumento do risco de acidentes.

“O que se tem notado é que acidentes em rodovias com fiscalização ausente são de maior gravidade, porque há aumento de velocidade”, explicou. “É o operador que deveria definir se em determinada rodovia o equipamento é útil ou não, e não alguém em Brasília.”

Professor do Departamento de Transportes da UFPR (Universidade Federal do Paraná), Jorge Tiago Bastos lembra que a gestão da velocidade em vias urbanas e rodovias é uma diretriz internacional para a redução de mortes e lesões no trânsito.

Juntamente com o fortalecimento de leis relacionadas à condução sob efeito de álcool, uso de capacetes por motociclistas e uso do cinto e cadeirinhas para crianças, a medida é recomendada pela OMS (Organização Mundial da Saúde), com base na experiência de países que conseguiram reduzir seus números de mortes e lesões.

“A velocidade é colocada como uma das questões principais porque é tanto um fator de risco para a ocorrência quanto para a gravidade dos acidentes”, explicou Bastos.

Segundo o especialista, a fiscalização eletrônica associada à educação para o trânsito é necessária para provocar mudança de comportamento nos condutores.

Bastos explicou que o radar móvel não pode ser considerado, em si, “indústria da multa” — a não ser que a sinalização da via não informe o motorista sobre o limite de velocidade permitido com tempo hábil para a redução. “Se está sinalizada, em tese, não há ‘armadilha’”, explicou.

O especialista considera que cabe discussão quanto à metodologia de fiscalização, já que há meios mais sofisticados de controle. Hoje, contudo, o cenário é de operadores e equipamentos em número abaixo do necessário para a frota do país, em que a retirada do radar móvel resultará em aumento de risco nas estradas. “A sensação de impunidade por parte do condutor certamente aumentará”, afirmou.

Procurado, o Ministério da Infraestrutura informou que o assunto era de responsabilidade da PRF. Já a Polícia Rodoviária não respondeu aos questionamentos da FOLHA até a conclusão desta matéria. (Com agências)

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