Bolsonaro ataca Genoíno, Dias e FHC
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2000
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 27 (AE) - O deputado e capitão da reserva do Exército Jair Bolsonaro (PPB-RJ) chamou hoje o deputado e ex-guerrilheiro José Genoíno (PT-SP) de "delator e mentiroso", o ministro da Justiça, José Carlos Dias, de "defensor de quadrilheiros", e o presidente Fernando Henrique Cardoso, de "ateu".
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Bolsonaro pediu a palavra para comentar a entrevista de Genoíno a uma rede de televisão, quando o ex-guerrilheiro falou da atuação em Araguaia, durante o regime militar. "Ele (Genoíno) foi o responsável pelo fim da guerrilha do Araguaia, delatando todos os seus companheiros", acusou Bolsonaro. Ele atacou também o fato de Genoíno se declarar ateu, estendendo as críticas a Fernando Henrique. "Nós já temos um presidente ateu, e está aí a desgraça implantada no Brasil; será que São Paulo vai querer um governador ateu?", disse o deputado, referindo-se a uma das aspirações políticas do líder do PT.
Genoíno participava da cerimônia de escolha do novo líder do partido na Câmara, Aloízio Mercadante (SP), quando foi avisado do que ocorria em plenário. "Dirigi-me para lá, e o mais incrível é que me deparei com Bolsonaro saindo do plenário, sorrindo e me cumprimentando, como se não houvesse feito o que fez", contou Genoíno, que pediu a palavra e exigiu a permanência do colega. "Condenei os ataques pessoas, que ferem o decoro parlamentar", disse o líder petista. Ele não vai pedir a cassação do colega, mas prometeu "o ignorar daqui por diante". As declarações de Bolsonaro chegaram ao Palácio do Planalto e foram alvo de reação do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira. "Convivi com ele e sei o quanto Genoíno é sério", afirmou.
No dia 16, no início da sessão legislativa ordinária, a Mesa Diretora da Câmara vai reunir-se para reafirmar a decisão de submeter à votação em plenário o pedido de suspensão de Bolsonaro. A punição havia sido aprovada pela Mesa em junho, mas a suspensão não foi aplicada porque o assunto não foi encaminhado para votação pelos deputados. As declarações do capitação da reserva têm sido alvo de reclamações desde 1993, quando o deputado teria defendido, em Santa Maria (RS), um regime semelhante ao período militar pós-64, com o fechamento temporário do Congresso.


