Brasília, 27 (AE)- O deputado Jair Bolsonaro (PTB-RJ) foi o pivô, nesta manhã, de mais uma confusão envolvendo ofensas pessoais a homens públicos. Em discurso feito há pouco no plenário da Câmara, Bolsonaro acusou o líder do PT, José Genoíno
de ter delatado seus companheiros durante a guerrilha do Araguaia, ocorrida nos anos 70. Bolsonaro referia-se a uma entrevista veiculada nesta manhã, no programa Bom Dia Brasil, da TV Globo, na qual Genoíno falava sobre a guerrilha, tortura e concluiu afirmando que não se deveria tentar mudar nenhum regime pela luta armada. Bolsonaro disse que Genoíno falou na entrevista que foi preso armado. "Pelo manual da guerrilha, quem é pego armado morre lutando e não delatando", afirmou Bolsonaro.
Segundo o parlamentar, Genoíno teria delatado seus companheiros sem que fosse preciso levar sequer um tapa na cara. Avisado do pronunciamento por seus companheiros de partido, Genoíno foi ao plenário e rebateu as ofensas, na presença de Bolsonaro, pedindo regimentalmente que fossem retiradas as expressões ofensivas da ata da sessão de hoje. Segundo ele, a partir de agora suas relações com Bolsonaro serão apenas dentro da formalidade que exigem o decoro parlamentar. O líder do PT afirmou que quem defende a tortura sabe que todo cidadão quando está no pau-de-arara fica no fio da navalha, entre o que se fala e o que se preserva, para não prejudicar os companheiros. E que não se pode deixar de respeitar as pessoas que passaram por isso
prestando depoimentos em condições de incomunicabilidade e de tortura.
Segundo Genoíno, os arquivos do Superior Tribunal Militar registram que o depoimento dele teve gritos e choros. Emocionado, Genoíno disse que não se pode brincar com algo profundamente sério, e que nunca subiu na tribuna para falar sobre a vida pessoal ou militar de Bolsonaro. Genoíno disse que respeita muito as mulheres e homens que passaram pelo suplício da tortura e que não se deve julgar ninguém por ter enfrentado um regime terrorista. "Era legítimo pegar em armas e foi legítima a luta armada no campo e na cidade, porque aqueles eram anos de chumbo", disse Genoíno. O presidente da mesa ordenou que fossem retiradas as expressões ofensivas da ata da sessão e não deu a palavra a Bolsonaro quando este pediu a tréplica.

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