Bolsistas reclamam de atrasos de pagamentos após adoção ao Meta 4
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quarta-feira, 11 de abril de 2018
Isabela Fleischmann<br>Reportagem Local 

Os residentes técnicos que trabalham em secretarias e entidades ligadas ao governo estadual se queixam de problemas com o recebimento da bolsa-auxílio, no valor de R$ 1.900, desde o início do ano. O projeto de Residência Técnica do Estado, que existe desde 2008, permite que profissionais recém-formados atuem na área e se especializem por meio da UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa). No entanto, durante o período de residência, os bolsistas não podem exercer outras atividades remuneradas.
Uma residente técnica, que preferiu não se identificar, contou à FOLHA que desde a mudança do antigo sistema de pagamentos para o novo Siaf (Sistema Integrado de Finanças Públicas), os bolsistas têm sofrido com atrasos. "Ano passado recebemos corretamente, mas em janeiro mudou o sistema devido ao Meta 4 e ninguém sabia mexer nesse novo Siaf. No começo de fevereiro, não veio o dinheiro. Nós [residentes] ligamos para a Seti (Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior), para a UEPG, mas não foi resolvido", relatou.
Segundo ela, alguns bolsistas tiveram que deixar de pagar o aluguel. O pagamento foi feito no final de fevereiro, mas, em abril, os problemas tornaram a acontecer. Algumas pessoas receberam no dia 3, outras receberam dia 5, mas a maioria ainda não recebeu. No nosso contrato de residência técnica consta a obrigatoriedade do pagamento da bolsa até o dia 10", afirmou. "Outra coisa muito grave que acontece é que temos que entregar recibo de pagamento antes de receber a bolsa efetivamente", expõe.
Aroldo Messias Junior, da assessoria técnica da Seti, contou que a Secretaria ainda não tem certeza do que está acontecendo. "Estamos tentando descobrir o porquê das bolsas não terem sido pagas para resolver o problema", disse.
Da mesma maneira, 33 estudantes indígenas da Universidade Estadual de Londrina (UEL) estão com problemas nos repasses das bolsas desde o começo do ano letivo. O auxílio referente ao mês de março, por exemplo, deveria ter caído no último dia 6. Quatro desses estudantes estão há dois meses sem receber a bolsa. Uma reunião foi realizada na tarde desta quarta-feira (11) com a presença do coordenador da Comissão Universidade para os Índios (Cuia) da UEL, Giovanni Cirino, dos bolsistas indígenas e de um representante do financeiro da Instituição para buscar soluções.
Sem o auxílio permanência da Universidade, no valor de R$ 900, os estudantes correm o risco de ter que trancar os cursos. "Se a gente não receber essas bolsas, é provável que não permaneceremos na Universidade. Tivemos essa reunião hoje com o financeiro da UEL, eles também estão tentando fazer o pagamento com o sistema novo do governo", contou Alexandro da Silva, estudante de ciências sociais. "Em um mês o sistema dá certo, no outro mês, não", desabafou.
O coordenador afirmou que na planilha de pagamento da UEL consta em relatório que o pagamento das bolsas foi programado. "Aparece que o pagamento está agendado, mas o que o relatório deveria acusar é que a bolsa não foi paga", contou. O problema, segundo os bolsistas, advém do Siaf.
Para o coordenador da Cuia, a mudança de sistema foi feita de maneira irresponsável. "Eles deveriam ter colocado um sistema paralelamente ao outro e depois desativar um. Um sistema que administra pagamentos em todo o Estado, é óbvio que traria problema", disse.
Já a Sefa (Secretaria de Estado da Fazenda), que administra o sistema, argumenta que foi feito um cronograma de implantação do SIAF em 2017 e que houve um período de treinamento. Para a Sefa, o atraso no pagamento aconteceu devido aos erros no cadastro dos bolsistas com a UEL. Representantes da Universidade estiveram nesta quarta-feira (11) na Fazenda para buscar soluções. Segundo a assessoria de imprensa da Sefa, o problema de erro no cadastro foi identificado e já será solucionado, os pagamentos devem ser liberados ainda nesta quinta-feira (12) e recebidos na sexta-feira (13). Ainda de acordo com a assessoria, houve represamento dos pagamentos na entrada do sistema em janeiro devido ao atraso do repasse de dados da UEL e da UEM (Universidade Estadual de Maringá) para cadastro no Meta 4.


