Nova York, 30 (AE) - O mercado acionário dos Estados Unidos disparou nesta quarta-feira (30), surpreendido com a decisão do Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos) de elevar os juros em apenas 0,25 ponto porcentual e ainda mudar a tendência da taxa, que antes era de alta, para neutra.
O Índice Dow Jones fechou em alta de 1,45%, a 10.970,80 pontos
155 pontos de valorização sobre o pregão anterior. Antes do anúncio do Federal Reserve, a Bolsa de Nova York operava em queda de 45 pontos.
A queda estava sendo impulsionada pela divulgação do índice de atividade dos gerentes de compra de Chicago (NAPM-Chicago), que subiu para 60,0 em junho, sazonalmente ajustado, em relação a 57 9 em maio. Como a expectativa era de queda para 57,3%, o mercado temia que esse sinal de aceleração da economia incentivasse o Fed a elevar os juros em mais de 0,25 ponto.
A euforia também foi predominante nas bolsas do Brasil e do México, que subiram 2,18% e 3,27%, respectivamente.
Mas no mercado argentino a reação foi o extremo oposto e a Bolsa de Buenos Aires caiu 4,87%. Segundo analistas, a alta nos juros norte-americanos, mesmo modesta, vai piorar ainda mais a situação financeira do país, já fragilizado pela desvalorização da moeda brasileira e a ansiedade em relação às eleições deste ano.
No encontro de chefes de Estado no Rio esta semana, o presidente argentino Carlos Menem contribuiu para a insegurança do mercado em relação às eleições ao afirmar que a oposição, se eleita, vai pedir perdão de parte da dívida aos credores internacionais.
O problema é que a Argentina é o país da América Latina mais endividado no exterior. O Ministério da Economia calculou o impacto da elevação de 0,25 ponto percentual nos Fed Funds americanos em US$ 250 milhões adicionais no serviço da dívida externa deste ano, previsto no orçamento em US$ 8,3 bilhões.
Por causa do fuso horário, as bolsas européias operaram todo o dia na expectativa quanto  decisão do Fed. A Bolsa de Londres fechou em alta de 0,2%. O destaque do pregão foi o setor de bebidas, depois de a Punch elevar sua oferta para a compra da divisão de varejo da Allied Domecq. A Bolsa de Paris subiu 0,7%, impulsionada pelas ações dos bancos por causa da expectativa de um aquecimento da "guerra de fusões" envolvendo BNP, Societé Générale e Paribas. A Bolsa de Frankfurt subiu 0,4%.
A Bolsa de Tóquio fechou em baixa de 1,42%. O governo anunciou que as encomendas de novas obras às 50 maiores empreiteiras do país caíram 11,3% e as obras residenciais iniciadas caíram 0,9% em maio em relação ao ano passado.

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