São Paulo, 24 (AE) - O presidente da Bolsa de Valores de São Paulo, Alfredo Rizkallah, e o presidente da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, Carlos Reis, anunciaram hoje a fusão das duas instituições. O protocolo de intenções para a integração das Bolsas será assinado no dia 27 de janeiro, com a presença presidente Fernando Henrique Cardoso. Pelo protocolo, a Bovespa passa a gerenciar o mercado de ações e a Bolsa do Rio, o mercado de títulos públicos.
As corretoras-membros da Bolsa do Rio poderão operar na Bovespa e vice-versa. O presidente da Bolsa de Valores do Rio, Carlos Reis, afirmou que a praça carioca continuará a realizar leilões de privatização até o final do ano. Segundo Reis, esse é o período necessário para que a Bolsa tenha receita enquanto não negocia os títulos públicos. De acordo com o presidente, a Bolsa do Rio terá exclusividade de 4 anos para negociar os papéis. Já o sistema de negociações de ações deverá encerrar suas atividades dentro de dois meses.
O presidente da Bovespa, Alfredo Rizkallah, acredita que a fusão trará mais competitividade para o mercado brasileiro. Além disso, afirmou, possibilitará que, através do sistema de negociação de títulos, o governo federal alongue o perfil da dívida pública.
"Estima-se que esse mercado de títulos transacione, por dia, algo em torno de R$ 100 bilhões. Se a Bolsa do Rio conseguir negociar pelo menos 10% desse total, terá um volume de R$ 10 bilhões por dia", afirmou Rizkallah. O presidente da Comissão de Valores Mobiliários, Francisco da Costa e Silva, destacou que a fusão das duas bolsas poderá trazer uma redução significativa nos custos das corretoras.
Quanto à regulamentação do mercado de títulos, Costa e Silva disse que está sendo feito um estudo para que a supervisão de todo esse mercado secundário esteja sob a jurisdição da CVM. Sobre a negociação nas demais Bolsas regionais, Rizkallah explicou que está sendo feita, paralelamente, uma negociação com esses mercados.
A idéia é que eles parem de negociar ações, atuando apenas como centros de informação. Rizkallah ainda está estudando de que forma irá integrar essas Bolsas ao mercado paulista.
As atividades de compensação, liquidação e custódia de valores mobiliários e títulos públicos ficarão por conta da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), da Bovespa
que vai adquirir a Câmara de Liquidação e Custódia, da Bolsa do Rio. Para concretizar a fusão, foi feita uma troca de títulos patrimoniais das duas Bolsas, com base no valor patrimonial das instituições que consta do balanço de 31 de dezembro (ainda sob auditoria).
Cada título das 76 corretoras da Bovespa vale R$ 5 milhões, já que o patrimônio da instituição está avaliado em R$ 386 milhões. Os 50 corretores da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, por sua vez, teriam um título que vale R$ 2 milhões, pois o patrimônio foi estimado em R$ 100 milhões.
Para igualar os montantes, o valor dos títulos de cada corretora paulista foi dividido em doze, e o da Bolsa do Rio em 5. Assim cada unidade passou a ter um valor de R$ 400 mil. Cada corretor da BVRJ dará para a Bolsa de São Paulo três dos seus títulos em troca de três títulos que serão dados pela Bovespa. Para o corretor da Bolsa de São Paulo participar da Bolsa do Rio
ele deve comprar um título da praça carioca.
Em resumo, o corretor do Rio de Janeiro fica com três títulos de São Paulo e um título da Bolsa do Rio. Os três títulos que a Bolsa de São paulo comprará dos corretores cariocas em troca dos títulos da praça paulista serão cancelados para que o patrimônio dos integrantes da Bolsa do Rio seja elevado.

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