Viver uma experiência no exterior pode modificar a visão do mundo e auxiliar na evolução pessoal e profissional. A técnica administrativa da 17ª Regional de Saúde de Londrina, Maria Rafaela Emi Nakagawa, 29, é ex-bolsista que estudou o idioma da Terra do Sol Nascente na província de Okinawa, no Japão, terra de seus avós. "Achei a experiência muito boa. Aprendi bastante e mudei a visão que tinha de várias outras coisas. A gente começa a valorizar aspectos que não valorizava antes", destaca. Pelo fato de ter ido à terra de seus antepassados, passou a se apegar a alguns costumes de lá. "Quando voltei senti falta. Mas quando estive lá também senti saudades de coisas que temos no Brasil, como o costume de se cumprimentar com abraços", afirma.

Nakagawa se formou em administração de empresas. Embora não tenha utilizado o idioma japonês em seu cargo atual, como funcionária pública, garante que seu desenvolvimento é evidente desde que viveu em outro país. "Essa experiência lá fora foi válida porque ganhei mais independência. Não descarto voltar para lá para realizar uma pós-graduação. Sempre estou de olho nas oportunidades que surgem", aponta.

Nakagawa aprendeu muita coisa da cultura japonesa e também sobre a sua própria família. "Fui para região de meus avós, conheci parentes que moram lá e isso foi interessante, pois me conectei com meus antepassados. A filha da prima da minha avó já tinha vindo ao Brasil uma vez e eu tinha o contato dela quando fui ao Japão. Foi legal esse encontro, porque eles tinham um documento, uma árvore genealógica que estava preenchida até a minha bisavó. Eles queriam completar, mas eu só lembrava da parte que era mais próxima da minha avó", explica.

Ela ressalta que essa conexão a fez valorizar mais o que seus avós passaram quando imigraram ao Brasil. "Minha avó contou a história de minha bisavó, sobre as dificuldades que passou. O Japão faz parte da minha história, da minha cultura. Mesmo a criação que recebi tem muita coisa da cultura japonesa. Não sei se a forma que meus pais criaram tem a ver com isso, mas a gente foi criada respeitando os mais velhos e tem impregnada essa questão da ética", afirma.

A bolsa pela qual ela foi a Okinawa foi oferecida por intermédio do convênio entre a UEL (Universidade Estadual de Londrina) e a Universidade Meio, da cidade de Nago, Okinawa. Para a diretora do NECJ (Núcleo de Estudos da Cultura Japonesa) da UEL, Estela Okabayashi Fuzii, essas bolsas servem como uma via de mão dupla. "Ao mesmo tempo que o Brasil enriquece com o conhecimento ofertado por uma bolsa como a oferecida pela Universidade Meio, os alunos que participam desse intercâmbio levam a cultura brasileira e ampliam o conhecimento do nosso Brasil", aponta.

"Fico feliz de ver alunos de graduação e pós-graduação retornando desses intercâmbios e falando japonês. Até o comportamento muda. Anima ver como é importante essa vivência. Tenho acompanhado os resultados disso. Um dos alunos que retornou é afrodescendente e assimilou bem a cultura. Até a maneira de conversar mudou", destaca. Depois de graduado, ele passou em um concurso e hoje está em São Paulo.

Assim como ele, Fuzii relembra que outros ex-bolsistas têm sido aproveitados em outras boas colocações de emprego. "Há aqueles que vão trabalhar em empresas multinacionais, um foi trabalhar no consulado japonês do Rio de Janeiro, outra ex-bolsista trabalhou no consulado do Japão em Curitiba. Conhecendo a cultura e a língua japonesa pode acontecer como o caso do ex-aluno da UEL que trabalha no Ministério de Relações Exteriores do Japão, na área latino-americana. Outro aluno ficou seis anos trabalhando na embaixada japonesa do Chile", enumera.

O cônsul-geral do Japão, Hajime Kimura, e a vice-cônsul responsável pelo setor cultural do Consulado Geral do Japão em Curitiba, Akiko Kikuchi, estiveram em Londrina nos dias 11 e 12 de dezembro do ano passado em eventos para estreitar, cada vez mais, a relação entre o Japão e Londrina, principalmente por meio da comunidade japonesa e também para comemorar os 110 anos da imigração japonesa no Brasil.

Kimura salientou que Londrina e o Norte do Paraná são importantes pela representatividade da comunidade japonesa e relatou que o Norte paranaense é a região que concentra mais ex-bolsistas de origem japonesa. Ele ressaltou a importância desses ex-bolsistas, que se tornam multiplicadores dos conhecimentos que adquiriram no Japão.

Já Kikuchi destacou as inúmeras bolsas disponibilizadas pelo governo japonês para quem deseja se aprimorar tanto no idioma da Terra do Sol Nascente quanto no aprimoramento profissional ou acadêmico.

Entre as bolsas mais conhecidas estão as oferecidas pelo MEXT (Ministério da Educação, Cultura, Esporte, Ciência e Tecnologia), Mofa (Ministério das Relações Exteriores) e Jica (Agência de Cooperação Internacional do Japão-Brasil).

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