Bolsa lidera ranking de aplicações em março
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terça-feira, 30 de março de 1999
Por Sergio Lamucci 
São Paulo, 31 (AE) - O investimento em ações fechou março na liderança folgada do ranking das aplicações: o Índice Bovespa (IBovespa) acumulou alta de 20,02% no mês. As aplicações de renda fixa, que aparecem em segundo lugar, ficaram bem atrás. Os fundos de 60 dias tradicionais e DI apuraram valorização de 2 53%, um pouco acima dos 2,52% pagos pelos CDBs para grandes quantias. O dólar, por sua vez, caiu muito, amargando perda de 15,44% em março.
A reversão das expectativas em relação à economia provocou a forte alta do IBovespa. Desde a posse de Armínio Fraga na presidência do Banco Central (BC), no início do mês, e do anúncio do novo acordo com o FMI, o País começou a reconquistar a credibilidade com os investidores internos e externos. O primeiro passo para a retomada da confiança foi a divulgação de que o BC poderia gastar mais de US$ 8 bilhões para segurar o dólar, o que diminuiu as pressões sobre o câmbio.
Além disso, a autoridade monetária tomou várias medidas para aumentar a oferta de dólares, que contribuíram para a queda da moeda norte-americana. O dólar chegou a bater em R$ 2,17 no dia 2, e acabou o mês a R$ 1,725. A volta de empresas e bancos brasileiros ao mercado externo de crédito também mostrou a recuperação da credibilidade do País. Por fim, o BC voltou a vender títulos prefixados, o que não fazia desde junho de 98.
Parte da alta do IBovespa, no entanto, ocorreu por conta da forte alta apurada pelas ações da Lightpar no mês, que subiu 2.474% até o dia 16, quando a CVM interrompeu as negociações com esses papéis, por conta de suspeita de que alguns investidores conseguiram informações privilegiadas sobre as receitas que a empresa poderá obter com as infovias. Ontem as ações voltaram aos pregões, e caíram 46,2%, pois as decisões do governo sobre o assunto diminuíram a expectativa de lucratividade da Lightpar. Ainda assim, a valorização, que caiu de 2.474% para 1.285%, provocou uma distorção na valorização do IBovespa.
Os índices de inflação divulgados pelos institutos de pesquisa também ficaram bem abaixo do que previam os analistas. A recessão tem impedido que os aumentos do atacado sejam repassados para o varejo. O IGPM da Fundação Getúlio Vargas de março foi de 2,83%. No fim de fevereiro, especialistas chegaram a prever que o índice ficaria próximo de 5%.
Comparado com o IGPM, todas as aplicações de renda fixa tiveram rendimento real negativo. Mas os analistas insistem que não se deve usar esse índice para comparar com o rendimento das aplicações financeiras, porque o Índice de Preços no Atacado (IPA) tem peso de 60% no IGPM. O mais adequado é usar o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede o poder de compra das pessoas. Esse índice responde por apenas 30% do IGPM (os outros 10% referem-se ao Índice Nacional da Construção Civil, o INCC). E, enquanto o IPA de março teve alta de 4,16%, o IPC subiu 1,19%
ou seja, em comparação com esse índice, até mesmo a caderneta, que rendeu 1,67%, teve rendimento real positivo no mês.
O dólar teve recuo de 15,44%. Já o paralelo caiu menos, mas mesmo assim apurou desvalorização de 8,36%. Na lanterninha do ranking, aparece o ouro, que é cotado em dólar, com desvalorização de 16,40%.
No ano - O investimento em ações também está em primeiro lugar no ranking no primeiro trimestre de 99. Desde janeiro, o IBovespa já subiu 57,64%. Em segundo lugar está o ouro, com alta de 43,64% e logo atrás o dólar comercial, que subiu 42,77%. No primeiro trimestre, a renda fixa apanha feio do IBovespa, do dólar e do ouro. Os fundos de 60 dias DI, por exemplo, renderam 6,29%.


