Rio de Janeiro- O programa Bolsa Família, que unifica ações sociais do governo e começa no fim deste mês em 1.200 municípios, alcançará os grandes centros urbanos em 2004. O assessor especial da Presidência da República e coordenador para a mobilização social do Fome Zero, Frei Betto, informou ontem que a prioridade para as pequenas cidades neste primeiro ano tinha como objetivo desestimular as migrações para as regiões metropolitanas. Estudo da professora Sônia Rocha, da Fundação Getúlio Vargas, indica que 3,9 milhões de pessoas vivem em situação de pobreza extrema nos municípios de mais de 500 mil habitantes. Esse contingente representa 18,3% do total de 22 milhões de miseráveis brasileiros.
Sônia Rocha considera em pobreza extrema a família que não tem renda mensal suficiente para compra de uma cesta básica e, portanto, não podem satisfazer as necessidades alimentares básicas. O estudo aponta outros 3,4 milhões de brasileiros (15,6%) em pobreza extrema nas cidades de 100 mil a 500 mil habitantes.
''A partir do ano que vem, vamos fazer esse atendimento aos grandes centros. Há uma política de cautela em relação a isso porque, se iniciarmos por eles, há o risco de isso resultar como incentivo para a migração para os grandes centros. Daí a importância de começarmos pelos pequenos centros e as regiões mais carentes. No próximo ano, a política de inclusão social do governo federal chega às grandes metrópoles brasileiras. Começará simultaneamente em todas as capitais'', anunciou Frei Betto.
Segundo o assessor especial, o Fome Zero e o Bolsa Família atenderão, juntos, 3,6 milhões de famílias até dezembro deste ano, o que corresponde a pelo menos 14,5 milhões de pessoas, principalmente no semi-árido nordestino, no Norte de Minas Gerais e na região amazônica. O Bolsa Família distribuirá o valor mínimo de R$ 50 por família, podendo acrescentar R$ 15 por criança que esteja na escola, no limite de R$ 45 adicionais. ''O governo quer unificar os programas sociais para evitar desperdício, sopreposição, competição entre os ministérios e agilizar o atendimento a essa população mais carente de cerca de 50 milhões de brasileiros'', disse.
Frei Betto, que esteve no Rio de Janeiro para o II Encontro Anual Banco Rio de Alimentos, falou para empresários e comerciantes integrantes do Banco Rio de Alimentos, que recolhe produtos de boa qualidade mas que não servem para a venda, por não terem boa aparência, e transforma em refeições servidas a 10 mil pessoas pobres todos os dias.

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