São Paulo, 12 (AE) - As empresas brasileiras, que buscam a liquidez e a visibilidade de suas ações no mercado, tendem a fazer abertura de capital na Nasdaq (National Association of Securities Dealers Automated Quotations), sistema eletrônico que negocia principalmente papéis de tecnologia.
Segundo informações do mercado, empresas como Universo On Line (UOL), Zip Net, Módulo, O Site e Patagon.com já manifestaram interesse em abrir capital pelo sistema.
O representante regional da Nasdaq para a América Latina
Achilles Diniz Couto, afirmou que a tendência de abertura de capital no sistema está relacionada à mudança de mentalidade do empresariado brasileiro. As companhias estariam mais preocupadas com a demanda pelas ações em detrimento do prestígio garantido, por exemplo, pela Bolsa de Nova York. "A idéia de prestígio se torna ultrapassada porque já não traz mais lucro", disse.
Para Couto, as maiores empresas brasileiras acabam ficando pequenas quando são listadas em Nova York e o preço dos papéis em relação ao patrimônio cai. A maior visibilidade proporcionada pela Nasdaq, disse, decorre justamente do sistema de negociações, que funciona sem intermediários.
As operações são feitas diretamente por cerca de 500 "market-makers", corretoras que possuem uma média de 10 empresas em carteira. As operações de compra e venda são feitas por meio de terminais de computadores. Segundo Couto, são 5.200 companhias listadas, das quais 460 estrangeiras. "Ao dispensar o intermediário, o sistema torna-se mais ágil e mais barato."
O representante citou ainda o preço pago por uma empresa para fazer a listagem. Na Nasdaq, a quantia não passa de US$ 8 mil por ano, ante até R$ 500 mil na Bolsa de Nova York.
Além de Globocabo, outras quatro empresas brasileiras estão listadas na Nasdaq: a rede de restaurantes Bobs, a empresa de segurança Ensec, a TV Filme e a Vitech, do setor de computadores. Como o sistema eletrônico negocia basicamente ações de empresas relacionadas a tecnologia e Internet, a tendência natural é que a maioria das companhias interessadas em abrir capital seja desses setores.
Segundo ele, a entrada na Nasdaq pode, no futuro, se transformar em um primeiro passo para que as empresas brasileiras passem a abrir capital na própria Bolsa de Valores de São Paulo. "É o chamado sistema de arbitragem, pelo qual a empresa compra lá fora e vende aqui, e vice-versa."
Couto rechaça a idéia de que a negociação pela Nasdaq apresente entraves à entrada de investidores nacionais. Segundo ele, a abertura de uma carteira no sistema pode ser feita por até US$ 10 mil.

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