Rio, 9 (AE) - A Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ) confirmou para amanhã (10), a partir das 10 horas, o leilão para a entrada de um sócio estratégico na Eletronet (empresa de infovias da Eletrobrás). A bolsa não deu detalhes, mas isso quer dizer que pelo menos um participante depositou garantias.
O consórcio que pode ter depositado as garantias, segundo apurou a AGÊNCIA ESTADO, seria o Eletropar 2000, formado pelo Banco Opportunity e pela Inepar. O consórcio estava esperando até o final da tarde fechar um acordo para a entrada da companhia inglesa National Grid no grupo. As outras duas potenciais participantes, a AES e a CS Suarez (pré-qualificadas)
teriam se desinteressado pelo leilão.
Segundo fontes do Opportunity, a estratégia para o leilão seria a de trazer para o mesmo consórcio os compradores em potencial da empresa de infovias e pagar apenas o preço mínimo de R$ 292,9 milhões, por 51% de participação. Até o final da noite, o banco ainda estava negociando com a National Grid os porcentuais de participação dentro do consórcio.
O Opportunity também passou o dia procurando parceiros nacionais e estrangeiros, em especial fundos de private equity, para entrar no consórcio. Para que novos sócios entrem no negócio, o banco havia pré-qualificado quatro empresas que pertencem ao grupo: a Alphapart Participações SA, a Opportunity Zain SA (onde está o fundo CVC/Opportunity), a Supertel Par SA e a Tressem Par SA.
O consórcio vencedor do leilão de amanhã terá que desembolsar R$ 292,9 milhões por 51% das ações de uma Sociedade de Propósito Específico, conhecida como Eletronet, que explorará o negócio de infovias e poderá entrar como prestadora de serviço de telecomunicações, a partir de 2003. O dinheiro, no entanto, será pago sob forma de investimento na Eletronet.
À Lightpar caberá o gerenciamentos das redes de infovias
que serão cedidas onerosamente pela Eletrobrás. O primeiro desembolso do sócio da Lightpar será no dia 20, de R$ 100 milhões, mais o valor do ágio, no caso dele ocorrer. O restante poderá ser pago em três parcelas, corrigidas pelo IGPM: R$ 95 milhões, em 16 de agosto de 2000, R$ 65 milhões em 16 de agosto de 2001 e R$ 30 milhões em 16 de agosto de 2002.
Polêmica - A exploração das redes de transmissão da Eletrobrás por parte da Lightpar, para o negócio de infovias, causou uma séria polêmica no mercado acionário, uma vez que os detalhes da operação não estavam definidos e as ações chegaram a subir mais de 3.000% em cerca de 30 dias.
O leilão chegou a estar marcado para março deste ano, mas foi transferido depois que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) questionou a alta dos papéis e pediu detalhes da operação Os analistas especulavam sobre a possibilidade de a Lightpar - uma empresa aberta controlada pela Eletrobrás, que até então tinha um valor de mercado ínfimo - ter ganhos astronômicos com a exploração das redes de transmissão.
O negçoio só foi oficialmente esclarecido em 14 de maio deste ano. Pelo modelo anunciado, a Lightpar terá que transferir 100% do lucro obtido com a sua participação na Eletronet (49%). Além disso, a Eletrobrás cobrará da Eletronet pelo uso das redes de transmissão uma parcela fixa, calculada por quilômetro de extensão usado, que deverá ficar em torno de R$ 50 milhões por ano. Esse valor será cobrado pela Lightpar, que terá o direito de ficar com 2% do total, a título de taxa de gerenciamento.

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