Nova York, 11 (AE-DOW JONES) - A alta de maio nas vendas no varejo nos Estados Unidos foi ainda maior que a de abril e causou pânico no mercado americano hoje. Segundo dados divulgados pelo Departamento do Comércio, o crescimento das vendas no varejo foi o maior dos últimos três meses e os preços ao produtor também subiram, embora dentro das expectativas.
Esses fatores - somados a outros indicadores divulgados recentemente, que sugeriram aceleração contínua da economia americana - levaram alguns participantes do mercado a acreditar que o Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos) pode elevar os juros básicos de 4,75% para 5,25%, em vez dos 5,0% previstos anteriormente pela grande maioria dos operadores, para evitar a inflação.
De cada grupo de quatro operadores consultados esta semana por uma agência de pesquisa, três acreditavam que o Federal Reserve vai mesmo elevar os juros. A opinião dos que não acreditavam era de que o mercado já havia antecipado o aumento do custo do dinheiro ao pressionar os juros dos títulos do Tesouro referenciais, de 30 anos. O Federal Reserve poderia, portanto, dispensar o aumento da taxa básica, como já aconteceu outras vezes.
Mas a alta imprevista dos preços no varejo fez muitos analistas acreditarem que a auto-correção do mercado não será suficiente para evitar um aumento dos juros na reunião do Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve, marcada para os dias 29 e 30 de junho.
As vendas no varejo subiram 1,0% em maio, ante um aumento de 0 7% em abril, que já causara grande repercussão. A compra de carros liderou a alta das vendas no varejo. Excluída essa área, as vendas em maio subiram 0,5%, comparadas à alta de 0,8% em abril.
Os juros dos títulos do Tesouro de 30 anos subiram para 6,15% ao ano, de 6,04% na quinta-feira, o maior nível desde novembro de 1997. A Bolsa de Nova York fechou em queda de 1,23%, a 10.491 pontos, e o Índice Nasdaq, de 1,48%. "A economia está pegando fogo", disse ontem o economista-chefe do Bank of Montreal em Toronto, Tim ONeil.
Fundo hedge - As quedas nos mercados foram impulsionadas também por boatos de que um novo fundo hedge estava pedindo ajuda do Federal Reserve, como ocorreu com o Long-Term Capital Management no ano passado. De acordo com os boatos, o Tiger Management estava prestes a falir e pediu uma reunião sobre o assunto com membros do Federal Reserve. O fundo negou o boato, alegando ser extremamente líquido, e o Federal Reserve negou-se a comentar as especulações.
Alguns operadores disseram que o Federal Reserve estava reunido sim, mas para discutir um aumento imediato dos juros. O boato também foi desmentido, mas o "estrago já estava feito", disse um operador.
Os preços ao produtor subiram 0,5% em maio, depois de uma elevação de 0,8% em abril. O preço das matérias-primas cresceu 5 5% em maio, a maior alta em dois anos e meio.
"A queda dos preços das commodities não vai salvar o dia e essa é uma mensagem que o Federal Reserve entende", disse um analista. O índice de preços ao produtor ficou dentro do esperado, o que transferiu expectativas para a divulgação da inflação na quarta-feira.
Ainda sem noção muito clara do significado dos indicadores, o mercado de ações brasileiro reagiu de forma positiva e operou em alta ao longo da manhã. O Ibovespa chegou a subir até 1,82%, acompanhando o melhor momento de Wall Street. Mas lá, mais do que aqui, os mercados se comportam de maneira bastante volátil. No início da tarde, o juro do T-Bond de 30 anos atingia as máximas e, por isso, a bolsa doméstica perdeu o fôlego no início da tarde e o Ibovespa reduziu sua valorização para 0,14% no fechamento.
Os C-Bonds, os títulos da dívida externa brasileira mais negociados, registraram forte queda, de 1,39%, de 61,875 centavos de dólar na quinta-feira para 62,750 centavos de dólar ontem. O principal título da dívida da Argentina também caiu, 0 71%.
O dólar caiu ante o iene, com o mercado aparentemente decidido a testar o suporte de 117,50 ienes, atingido na quinta-feira, com a alta do iene a partir da divulgação de crescimento do PIB japonês. Operadores disseram em Londres que o mercado deu pouca atenção ao alerta das autoridades japonesas de que a manutenção da estabilidade do câmbio é extremamente importante para o Japão.
Um funcionário do primeiro escalão do Ministério das Finanças do Japão disse que o governo "tomará as medidas apropriadas, se necessário", para sustentar o dólar.
Analistas avaliaram que os investidores estão ansiosos pelo aparecimento de outro país gerador de crescimento global e qualquer sinal de que o Japão está definitivamente recuperando-se deverá provocar um forte fluxo de capitais para o iene. O dólar caiu a 117,88 ienes na mínima. Em relação ao euro, a moeda acabou sendo pressionada. O euro chegou a subir a US$ 1 0556 na máxima.

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