Rio Branco, 17 (AE) - O Ministério Público Federal (MPF) está pedindo a prisão de um empresário boliviano da cidade de Cobija, segundo informou hoje o procurador Sérgio Medeiros. O boliviano está na lista de supostos envolvidos com a organização criminosa liderada pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal, e atuaria na facilitação do tráfico e no fornecimento da droga.
O pedido foi protocolado ontem (16) na 2ª Vara Criminal da Justiça Federal, quando Medeiros apresentou denúncias contra outros 54 envolvidos com o tráfico internacional de drogas e com os grupos de extermínio -o chamado Cartel do Acre. O procurador disse que as provas apresentadas são testemunhais e depoimentos de vários dos envolvidos.
Cobija é uma pequena cidade que faz fronteira com Brasiléia (280 quilômetros de Rio Branco) onde a Polícia Federal (PF) desmantelou há três meses um esquema de "tráfico formiguinha", gente especializada na compra e remessa de pasta de coca para o Brasil.
Os pedidos estão sendo analisados pelo juiz Pedro Francisco da Silva, que até o começo da tarde ainda não tinha decidido sobre os processos.
Pedro Francisco já decretou a prisão temporária e preventiva de 28 policiais civis e militares e traficantes membros da quadrilha de Hildebrando. O grupo está preso em Brasília.
O MPF não revela os nomes contidos nos dez volumes do processo alegando ser necessário "preservar os citados". O procurador Medeiros não confirmou o envolvimento de políticos e pessoas influentes no Estado. "Há empresários no meio", disse, esperando que a Justiça acate integralmente as denúncias.
As acusações do MPF são baseadas no artigo 18 da Lei de Entorpecentes, que condena de três a seis anos de prisão a prática de "associar-se reiteradamente para a prática do tráfico". O juiz poderá negar ou acatar as denúncias no todo ou em parte. Dos 55 processos, 35 referem-se a pedidos de prorrogação da prisão temporária ou de prisão preventiva.
Outro envolvido no narcotráfico também está sendo denunciado por contrabando de armas. "Foi preso com uma arma contrabandeada", explicou Medeiros.
Se o juiz acatar integralmente o pedido, os presos serão removidos também para Brasília até que o governo estadual conclua um presídio improvisado no Centro de Formação da PM. Até agora, a maioria dos presos é formada por policiais militares. Com a obra, o governo local atende ao pedido dos parentes dos presos. Os considerados mais perigosos continuarão presos em Brasília ou em algum presídio de segurança do País.

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