Bolívia: Governo quer que empresários mudem mentalidade
La Paz, 29 (AE-IPS) - O governo da Bolívia pediu aos empresários que mudem a mentalidade de forma a exportarem mais produtos com valor agregado, ao invés de somente matérias-primas. Esta seria, segundo La Paz, uma forma de reverter o déficit comercial de US$ 492,63 milhões, referente aos meses de janeiro a setembro. No ano passado o déficit foi de US$ 711,11 mi.
Dados do Instituto Nacional de Estatísticas mostram que 80% das vendas do país se referem à matérias-primas e 20% a produtos processados. "A crise tem atingido menos as exportações de produtos com valor agregado", disse Carlos Saavedra, ministro do Comércio Exterior.
Do lado dos empresários, há condições para acompanhar o raciocínio do governo. Eles querem incentivos para os investimentos, consolidação de mercados em produtos específicos, como manufaturas, guerra ao contrabando e uma lei que beneficie o setor exportador. Para Romel Antelo, gerente geral da Fundação Bolívia Exporta, o país não tem uma legislação sobre exportações compatível com os tempos da globalização: "Não é ágil", disse.
Mesmo com um déficit menor que o registrado em 1998, ele aumentou no intercâmbio com o Mercosul, Aladi e Nafta. De janeiro a setembro a Bolívia exportou US$ 787,79 milhões (US$ 933,86 mi no mesmo período de 98) e importou US$ 1.280,42 bi (US$ 1.655,97 bi em 98). O saldo comercial foi positivo com a Comunidade Andina de Nações (US$ 61,6 milhões), a UE (US$ 31,8 milhões) e Associação Européia de Livre Comércio (US$ 38,5 milhões).
O déficit com o Mercosul aumentou de US$ 184,98 milhões entre janeiro e setembro de 98 para US$ 225,68 no mesmo período deste ano. Com a Aladi o déficit pulou de US$ 217,64 milhões (98) para US$ 259,07 milhões (99). Com o Nafta o déficit saltou de US$ 152 28 milhões (98) para US$ 160,33 milhões (99). O déficit com o Japão, que era de US$ 359,08 milhões nos nove primeiros meses de 98, caiu para US$ 117,67 no mesmo período de 99.
No Mercosul, o déficit da balança comercial com o Brasil é de US$ 166,03 milhões e com a Argentina de US$ 118,23 milhões. Com a Colômbia e Uruguai o saldo é positivo: US$ 64,25 milhões e US$ 58,56 milhões, respectivamente.





