Bolívia acredita em saídas para o Mercosul
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2000
Por Jair Rattner, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Lisboa, 23 (AE) - Para o chanceler boliviano, Javier Murillo de la Rocha, basta vontade política para resolver a crise que ameaça o futuro do Mercosul. "Todos os processos de integração atravessam momentos de dificuldades e depois se recuperam. O importante é persistir no projeto inicial de integrar-se".
Segundo o ministro, que se encontra em Portugal para participar nas reuniões da União Européia com o Mercosul e com o Grupo de San José, crises como a que separa o Brasil da Argentina foram enfrentadas muitas vezes pela Bolívia: "Na âmbito da Comunidade Andina aconteceu muitas vezes isso conosco durante esses 30 anos. Quando houve dificuldades o que se colocava em questão era a decisão de os países persistirem nos objetivos originais. Como essa vontade política não se enfraquecia, os problemas conjunturais sempre foram solucionados e estou certo de que isso vai acontecer com o Mercosul".
Aproveitando a viagem a Portugal, de la Rocha realizou uma reunião bilateral com o ministro chileno, país com que a Bolívia não tem relações diplomáticas há 22 anos. "Tivemos uma prolongada reunião com o chanceler Gabriel Valdez e sua equipe. Como sabem não temos relações diplomáticas desde 1978 e desde essa época tem sido muito difícil encaminhar alguns pontos da nossa relação bilateral".
Apesar de discutirem os problemas entre os dois países e a possibilidade de a Bolívia utilizar o território chileno como saída para o mar, não foi abordado o restabelecimento das relações entre os dois países: "O tema mais importante é a reintegração marítima da Bolívia. Estamos privados do acesso ao mar depois de uma guerra que ocorreu há 121 anos. Para nós um ponto central da nossa política é resolver a questão de mediterraneidade. A questão do reatamento das relações entre os dois países nem sequer foi considerada porque o objetivo do diálogo é buscar soluções para os problemas através de uma agenda. O objetivo não é restabelecer as relações diplomáticas."


