Boletins alertaram sobre riscos na P-36
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quinta-feira, 22 de março de 2001
Irany Tereza Agência Estado Do Rio de Janeiro 
Nos três dias que antecederam as explosões da P-36, os responsáveis pelo corpo técnico da plataforma emitiram boletins diários informando sobre uma pressão anormal no sistema de eliminação de gases do equipamento. Pelos relatórios, haveria necessidade de parar a produção para troca de peças. Os alertas começaram a ser emitidos na segunda-feira da semana passada. Na quinta, uma coluna de sustentação da P-36 explodiu, causando 11 mortes. O funcionário Sérgio Santos Barbosa, que teve 98% do corpo queimado, morreu ontem e os outros 10, no dia do acidente. O presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul, e o diretor de Exploração e Produção da empresa, José Coutinho Barbosa, garantiram que só foram informados dos boletins ontem.
Estamos tendo pressurização no sistema de vent. Provável causa é o entupimento do abafador de chamas. Estamos especificando-o para compra. Será necessário parar a produção para substituição do mesmo, visto estar bem próximo dos queimadores de gás da torre de flare, diziam os registros diários
Logo depois do acidente, os boletins foram retirados do sistema de intranet da empresa, segundo Coutinho, por iniciativa do gerente-geral da Bacia de Campos, Carlos Eduardo Bellot, para evitar alterações no texto.
A coluna onde ocorreram as explosões tem ligação com o sistema da torre de flare (a torre que ficava no centro da P-36). Segundo o presidente da Associação dos Engenherios da Petrobras (Aepet), Fernando Siqueira, o tanque instalado na perna da plataforma atingida funcionava como uma espécie de esgoto químico do equipamento. Para lá eram enviados todos os dejetos do processamento do óleo e gás retirados do fundo do mar, além dos resíduos do combustível usado para manter a P-36 em funcionamento.
Há uma comunicação entre o tanque que explodiu e a planta de processamento, diz Siqueira. Ele acredita que uma das possíveis causas do acidente seja o retorno do gás acumulado na torre, sob pressurização acima do normal, para o tanque, pela tubulação que transporta os resíduos.
Reichstul, que participou de uma cerimônia ecumênica em Macaé em memória dos funcionários mortos na tragédia, evitou falar com a imprensa. Pela manhã, ele recebeu deputados e os informou sobre os boletins. À tarde, disse apenas que precisava inteirar-se do conteúdo dos boletins de produção. É um assunto que precisa ser apurado com muita serenidade e responsabilidade, dada a gravidade do caso, disse. Ele repetiu duas vezes que só hoje falará sobre o assunto.
O coordenador da plataforma, Paulo Roberto Viana, também ficou responsável
pelo registro no dia 14, um dia antes da explosão, ao substituir Galvão, que completava seu plantão.
Barbosa justificou o desconhecimento da diretoria sobre os problemas que estavam ocorrendo na plataforma dizendo que, nos dias que sucederam o acidente, a preocupação de todos era salvar a P-36 e resgatar os corpos.


