Boletim macroeconômico prevê crescimento de 4% em 2000
Brasília, 27 (AE) - O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico divulgado há pouco pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, mantém a previsão de um crescimento de 4% do PIB para a economia no próximo ano, apesar dos riscos que apareceram recentemente, principalmente com relação à inflação, balança comercial e escassez de demanda. Segundo o documento, os cenários de problemas nessas áreas têm baixa probabilidade, "embora não autorizem descuidos por parte do governo". O documento mantém a previsão de crescimento de 3 9% para o PIB agropecuário e 5,2% para a indústria e de 3,7% do setor de serviços. A STE avalia que os choques de oferta que levaram à pressão inflacionária já ocorreram em sua maioria, resultantes principalmente da desvalorização cambial, do ajuste de tarifas de energia, do choque de petróleo, do aumento de impostos e de uma entressafra ruim. "Entra-se no ano 2000 com preços relativos ajustados. Nesse cenário, não há razão para imaginar resíduos inflacionários que vão, num quadro de crescimento, comprometer a meta de IPC de 6%". O documento afirma que muitos analistas estão exagerando o papel da fraca atividade econômica como responsável pelo não retorno da inflação. Segundo o texto essa é uma visão limitada da economia brasileira, onde a diversidade de fatores "nem sempre torna o quadro mais claro, mas ilustra como não é razoável simplificar a análise reduzindo-se a um ou dois elementos o comportamento do preço. O texto cita ainda que, mesmo com o crescimento de 4%, o nível da produção industrial só retornará ao patamar anterior ao da crise asiática no fim do próximo ano. O texto prevê que a demanda será retomada principalmente graças a queda dos juros, redução do IOF, queda da inadimplência, renegociação de débitos tributários e ao aporte de novos recursos para a construção civil. "A retomada, em suma, será movida a crédito e em setores que dispõem de grande capacidade ociosa". A análise prevê ainda um Natal forte em vendas por ser o primeiro em três anos que ocorre sem grandes crises externas ou internas. Com relação à balança comercial, o texto avalia que as mudanças nas contas externas , resultante da desvalorização, será sólida e sustentada no tempo, apesar da demora na resposta das exportações.
O boletim de acompanhamento macroeconômico afirma ainda que a quarta revisão do acordo com o FMI "deverá reavaliar a adequação das reservas internacionais líquidas permitindo que o Banco Central possa atuar de forma a conter altas especulativas no mercado cambial". Neste momento, o secretário de POlítica Econômica, Edward Amadeo, está concedendo entrevista coletiva sobre o documento.





