Rio, 19 (AE) - O superávit de US$ 15 milhões na balança comercial de março, anunciado pelo governo, deve reverter-se, na prática, em déficit de US$ 170 milhões, segundo alerta a Confederação Nacional das Indústrias (CNI), no boletim "Comércio Exterior em Perspectiva". De acordo com o documento, a mudança se explica porque o número divulgado pelo governo leva em conta os documentos de Declaração de Importação (DI) expedidos no mês, e não o desembarque efetivo de produtos comprados no exterior.
Pelo critério do governo federal, o superávit de US$ 15 milhões é o resultado de exportações de US$ 3,829 bilhões e importações de US$ 3,814 bilhões. No entanto, pelos critérios de desembarque efetivo das importações, o volume de compras externas chega a um valor em torno dos US$ 4 bilhões. A confirmação deste valor para as importações efetivas ainda será feita, ressalva o boletim, elaborado pela Unidade de Integração Internacional da CNI.
De acordo com a CNI, mesmo com a mudança, o resultado ainda é uma melhoria importante, porque o déficit será menor do que o de março de 1998, de US$ 776 milhões. No primeiro trimestre do ano, estima a Unidade de Integração Econômica, o déficit comercial chegaria a US$ 730 milhões, registrando uma redução de cerca de 50% em relação ao do mesmo período no ano passado, que foi de US$ 1,5 bilhão.
Autopeças - O documento informa também que o setor de autopeças reviu a previsão de superávit comercial do ano. A estimativa anterior ficava entre US$ 500 e US$ 600 milhões, mas o número calculado agora pelo Sindicato das Indústrias de Autopeças (Sindipeças) é de cerca de US$ 1 bilhão.
A CNI informou que, de acordo com o Sindipeças, a revisão na estimativa é o resultado da queda esperada de 16% das importações, que atingiriam US$ 3,5 bilhões, contra a previsão anterior de US$ 4,1 bilhões - praticamente o mesmo gasto de 1998. Do lado das exportações, o crescimento, estimado inicialmente em 12% na comparação com o ano passado, foi revisto para menos, e deve ficar no patamar de 7%.
A estimativa do Sindipeças é de exportações de US$ 4,5 bilhões, valor US$ 200 milhões inferior à projeção inicial. A substituição de autopeças importadas por similares nacionais vai ser apoiada pelo BNDES, que anunciou a ampliação da linha de crédito para as empresas com projetos de substituição de importação. As linhas de crédito, que corresponderiam a 60% do investimento previsto, passarão a representar 80%, lembrou o boletim.
A CNI informou que a expectativa do setor de autopeças é de redução do índice de ociosidade das indústrias, atualmente em 40% de sua capacidade, para a metade deste percentual, a partir do segundo semestre. O Sindipeças também prevê a redução de produtos brasileiros pelas montadoras de automóveis argentinas, e por isso, prepara-se para ampliar sua participação em outros mercados.

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