Londrina - Os brasileiros adoram fazer uma aposta e agora a parcela da população que gosta de arriscar a sorte em bolões poderá fazê-lo de forma mais segura. Essa modalidade de jogo, que até agora era considerada informal, será oficializada a partir do dia 1º de outubro pela Caixa Econômica Federal.
O presidente do Sindicato dos Lotéricos do Paraná (Sinlopar), João Miguel Turcatto, explicou que a oficialização era um pedido antigo. ''Os lotéricos estão apreensivos, mas esperam que isso represente um aumento de vendas e quem sairá beneficiado é o próprio cliente'', salientou. Ele disse que por meio do bolão o apostador pode escolher mais números que em um bilhete tradicional e isso aumenta as chances ser sorteado.
Anteriormente os bolões eram montados e vendidos pelas lotéricas na base da confiança. O apostador ficava com um comprovante oferecido pela casa, enquanto a lotérica retia o volante oficial, o único que dá direito à retirada do dinheiro.
A Caixa chegou a proibir esse tipo de aposta, o que gerou descontentamento por parte dos lotéricos, já que constituía uma importante parcela dos rendimentos desses estabelecimentos. ''Agora será um recibo oficial. Ninguém mais vai receber uma fotocópia ou um papelzinho com os números'', explicou Ruy Barone, gerente regional da Caixa.
Com a oficialização, a partir do momento em que for montado o bolão em uma lotérica, haverá um número de bilhetes correspondente ao número de cotas. ''Se, por exemplo, forem 15 pessoas se cotizando para fazer um bolão, serão emitidos 15 recibos de aposta'', destacou Barone. Nesse caso, cada contemplado recebe uma cota de um quinze avos desse bolão.
''Isso representa a confiabilidade de que cada um terá um recibo oficial do jogo e isso vai proporcionar mais segurança. Esse aumento da confiabilidade pode gerar um possível aumento de arrecadação, o que poderá aumentar recursos para as áreas sociais'', salientou Barone.
O Bolão Caixa terá limites diferentes no número de apostadores, de acordo com cada tipo de loteria. Para a Mega-Sena mais simples, com seis dezenas, a variação é de duas a cem cotas.
Na Dupla-Sena, o limite é menor, de no máximo 50 cotas, mesmo número que a Loteca. Na Quina serão permitidas 25 cotas, na Lotofácil 16 até 12 cotas e na Lotofácil 17 ou 18 vão até 25 cotas. A aposta mínima será R$ 10, divididos em duas cotas de R$ 5 cada.
A partir de negociação com os lotéricos, feita pela Secretaria de Acompanhamento Econômico (SAE), ficou acordado que será até 35% o percentual de prêmio que as casas lotéricas poderão cobrar de taxa de administração de um bolão. Ao mesmo tempo, as pessoas poderão montar um bolão entre os amigos e apenas registrá-lo na casa lotérica, sem nenhuma cobrança de taxa de serviço.
Os apostadores apontam que a medida é benéfica. O motoboy Wellington Suzuki, de 26 anos, afirmou que os apostadores terão mais garantias de receber o prêmio. ''Com essa medida vai ficar mais seguro apostar'', afirmou. Já o aposentado Carlos Lopes, 61, expôs que a oficialização só vai regularizar um processo que já existe. ''É razoável que façam isso, já que era algo que existia informalmente'', declarou.
O gerente de uma lotérica, Sisey Matsuo, explicou que o novo bolão aumentará as chances dos apostadores ganharem. ''Já saiu um prêmio de R$ 27.800 aqui no sábado passado. Pode ser que dê mais sorte'', declarou. (Com Agência Brasil)

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