Boicote ao Provão foi de 1,4%, o menor desde 96
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segunda-feira, 28 de junho de 1999
Por Demétrio Weber 
Brasília, 29 (AE) - O boicote ao Exame Nacional de Cursos (Provão) deste ano foi o mais baixo das quatro edições. Dos 163,9 mil formandos avaliados, apenas 2.211 (1,4%) entregaram a prova em branco. O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, anunciou os novos cursos incluídos no Provão do ano 2000: agronomia, biologia, física, psicologia e química.
No curso de medicina, cuja participação havia sido contestada por médicos, professores e estudantes, o boicote foi de 0,15%. Odontologia registrou o índice mais baixo, 0,06%. A maior rejeição foi em jornalismo: 11,04% deles deixaram de responder às questões. "Os alunos entenderam que o Provão os beneficia", comemorou hoje o ministro da Educação ao divulgar os dados. No ano passado, o boicote havia sido de 2,2%, o mesmo de 1997. Em 1996, ano de estréia do exame, 11,7% dos formandos entregaram a prova em branco.
O Exame Nacional de Cursos deste ano teve o mais elevado índice de participação: 94,5% dos inscritos compareceram aos locais de prova. O teste, feito no dia 13, avaliou os formandos de 13 cursos: administração, direito, engenharia civil, engenharia química, medicina veterinária, odontologia, engenharia elétrica, jornalismo, letras, matemática, engenharia mecânica, economia e medicina.
Com os novos cursos, o Provão do próximo ano vai avaliar 74% do total de formandos do ensino superior no País, segundo o coordenador do exame, Tancredo Maia Filho. O ministro destacou que o Ministério da Educação (MEC) recebeu pedidos de representantes de diversos cursos interessados em submeter-se à avaliação. "Mas nem todos podem ser atendidos por problemas logísticos", justificou Paulo Renato.
A realização do exame este ano custou cerca de R$ 9,8 milhões ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do MEC responsável pelo teste. "Para os efeitos que produz, a avaliação é barata, mas pesa no orçamento", disse Paulo Renato. Segundo ele, "seria bom" cobrar uma taxa das instituições de ensino. "Mas não há estudo nesse sentido."
Para o presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE)
Éfrem Maranhão, cursos que já tenham sido avaliados mais de três vezes poderiam ceder lugar a outros. "Em vez do exame anual, esses cursos poderiam ser avaliados a cada dois anos", sugeriu.


