A realidade das mulheres que vivem na zona rural tem dois lados contrastantes. Enquanto a empresária Gianne Giovanini Barbiere se orgulha do trabalho frente à queijaria, a bóia-fria Valdirene dos Santos Alencar, 50 anos, moradora de Centenário do Sul (91 km ao norte de Londrina), lamenta a vida itinerante nas colheitas da região. Sergipana, ela veio para o Sul em cima de um pau-de-arara, há mais de 20 anos. Em toda sua existência, nunca realizou outro tipo de trabalho.
Mãe de cinco filhos com idades entre 10 e 21 anos, ela acorda todos os dias às 4 horas, faz o almoço e vai para a roça com o marido, onde recebe R$ 8,00 por dia quando há trabalho. Chega em casa no início da noite, prepara o jantar e vai cuidar dos serviços domésticos. As ocupações com a casa e os filhos se repetem nos finais de semana. ‘‘Não faço nada para me divertir’’.
Questionada sobre planos para o futuro, ela hesita na resposta. ‘‘Queria que meu marido e os filhos conseguissem um emprego melhor, fora da roça. Também penso em comprar uma casa boa’’.
Todo o dinheiro que Valdirene e o marido ganham é utilizado na manutenção da família. ‘‘Não sobra nada. Se eu tivesse algum dinheirinho só para mim, gostaria de comprar roupas’’. (C.A.)

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