Ribeirão Branco, SP, 24 (AE) - O garoto Gedeão Andrade dos Santos, de dez anos, teve o olho direito extraído, durante uma delicada cirurgia no Hospital Oftalmológico de Sorocaba (SP)
depois de ficar uma semana com um pedaço de prego enfiado na córnea. O menino feriu-se quando trabalhava como bóia-fria na Fazenda São Sebastião, no bairro Campina de Fora, zona rural de Ribeirão Branco, no sudoeste do Estado, a 305 quilômetros da capital.
A criança montava 60 caixas de tomate por dia para ganhar R$ 3,00. Um prego resvalou ao impacto do martelo e soltou um estilhaço que penetrou no olho esquerdo. O acidente aconteceu no último dia 08, mas só no dia 15 o estilhaço foi retirado. O olho estava comprometido e não pôde ser salvo. O menino continua internado no Hospital Regional de Sorocaba. Hoje o caso chegou ao conhecimento do Conselho Tutelar de Ribeirão Branco, que procurou a polícia.
A mãe de Gedeão, Marilza Andrade Pontes dos Santos, disse que o menino trabalhava para ajudar os pais a sustentar outros cinco irmãos. Além de pregar caixas, ele trabalhava na colheita de tomate e pimentão com outros bóias-frias. O pai, Adelino Rodrigues dos Santos, contou que, após ter se ferido com o prego, o filho foi levado para casa por outro trabalhador da fazenda. Como queixava-se de dores, foi levado à Unidade Mista de Saúde de Ribeirão Branco.
Segundo Santos, a médica que o atendeu fez um curativo no olho ferido e mandou o menino de volta para casa. Dois dias depois, com o olho inflamado, Gedeão voltou à unidade e foi encaminhado para o Hospital Regional de Sorocaba, de onde foi transferido para o Oftalmológico. Polícia - O delegado Marcelo Brunder Santini abriu inquérito e espera a alta do menino para requisitar exame de corpo de delito. Os donos da fazenda, os irmãos identificados apenas pelos primeiros nomes, Vanderlei e Vandeilson, vão responder a processo por exploração do trabalho infantil, podendo ser iniciados também por lesões corporais culposas. Segundo o pai de Gedeão, outras crianças da mesma idade trabalham nas lavouras da fazenda. O uso de mão-de-obra infantil e o trabalho em regime de escravidão vêm sendo combatidos, na região, pelo Ministério do Trabalho, através da Subdelegacia de Bauru. Na semana passada
12 bóias-frias, entre eles dois adolescentes de 14 e 16 anos, contaminaram-se durante a aplicação de um inseticida nas culturas de tomate.

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