Bogotá anuncia a morte de pelo menos 65 pessoas em combates
Bogotá, 23 (AE-AP) - Autoridades colombianas anunciaram hoje (23) a morte de pelo menos 65 pessoas nos mais intensos combates dos últimos meses entre a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), milícias paramilitares direitistas e o Exército governamental. Os choques ocorrem no Departamento de Córdoba, noroeste do país. "Os combates são muito violentos e a guerra é total e absoluta neste setor", declarou a jornalistas o comandante da 1ª Divisão do Exército, general Víctor Julio Alvarez.
Em Bogotá, o comandante das Forças Armadas colombianas, general Fernando Tapias, informou - pouco antes de partir para a região dos combates - a morte de cerca de 30 de seus soldados nos choques em Córdoba. O comando militar colombiano estima ainda em 20 o número de baixas nas fileiras das Farc. As autoridades do governo confirmaram a morte de pelo menos um civil.
De acordo com a versão de Tapias, os combates tiveram início no fim de semana, quando cerca de 500 rebeldes das Farc empreenderam uma ofensiva na região, aparentemente com o objetivo de assassinar o líder do grupo paramilitar Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), Carlos Castaño. Ontem, tropas do Exército foram transportadas em helicópteros M1, de fabricação russa, até a área do conflito, mas foram surpreendidas pelos guerrilheiros, que têm mais conhecimento do terreno. "O desembarque das tropas deu-se no meio do fogo cruzado", afirmou Tapias.
O subcomandante local do Exército, general Néstor Ramírez, não quis confirmar informações de imprensa, segundo as quais pelo menos dez soldados tinham sido capturados pela guerrilha. Desde o início desta década, as Farc capturaram pelo menos 450 soldados do Exército e da polícia, muitos dos quais ainda mantêm cativos.
Testemunhas asseguram que um batalhão do Exército de Libertação Nacional (ELN), a segunda guerrilha do país, se uniu às Farc no combate aos paramilitares. O governo não confirmou a informação.
A região de Córdoba, dominada pelas AUC, é considerada estratégica para a ação dos paramilitares. Esquerdistas acusam o Exército colombiano de ter treinado e armado essas milícias direitistas, hoje financiadas por proprietários de terras e narcotraficantes para enfrentar os guerrilheiros.
Formada por mais de 15 mil homens, as Farc, a guerrilha mais antiga da América Latina ainda em atividade, negocia um acordo de paz com o governo. No dia 7, as duas partes retomarão as discussões numa região desmilitarizada pelo Exército no sul do país. Tanto as Farc quanto o governo concordaram que as negociações não dependem de um cessar-fogo.





