Boeing suspende entrega de aviões com problema
Seattle, EUA, 2 (AE-AP) - Enquanto o navio de resgate Grapple se aproximava hoje do local da queda do Boeing 767-300 da EgyptAir perto da costa nordeste dos EUA, a fabricante do avião anunciava em Seattle a suspensão da entrega de 34 aeronaves de quatro modelos (incluindo o 767) por causa de um problema numa parte da cabine, que pode causar um incêndio. A Boeing garantiu, porém, que não há preocupações imediatas de segurança e a decisão não tem relação com a tragédia de domingo, que matou as 217 pessoas a bordo.
Centenas de modelos 747, 757, 767 e 777 produzidos nos últimos anos estão operando com escudos antigotas "inadequados", disse o diretor de Certificação de Aeronaves da Boeing, Jeff Hawk. Esses escudos visam a impedir a condensação de alcançar cabos elétricos e instrumentos da cabine, onde poderia provocar um curto-circuito. Segundo Hawk, a entrega de 34 aviões foi suspensa "por alguns dias", enquanto a Boeing e a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) discutem como resolver o problema. "A Boeing não entregará nenhum desses aviões antes que eles sejam postos de acordo com as regulamentações da FAA", confirmou esse organismo.
A Boeing ressaltou que a produção vai continuar. Hawk disse que os escudos do avião da EgyptAir estavam de acordo com as normas da empresa e da FAA.
Embarcações da Guarda Costeira detectaram o sinal de uma das duas caixas-pretas do jato da EgyptAir em águas com 78 metros de profundidade a 100 quilômetros da ilha de Nantucket, perto da costa de Massachusetts. Mas está prevista para hoje à noite uma forte tempestade na área, o que deve dificultar as buscas já em andamento de corpos e destroços e atrasar a chegada do Grapple, equipado para trabalhos em grande profundidade.
Depois que chegar, o Grapple levará de 36 a 48 horas para preparar seu veículo submersível operado por controle remoto, que ajudará na recuperação da caixa-preta. Os investigadores esperam que a caixa com registros dos últimos 30 minutos de vôo revele se a tragédia foi causada por falha mecânica, erro do piloto ou terrorismo. Já foram descobertos um corpo, algumas partes do avião - nenhuma com sinais que indiquem ter havido incêndio ou explosão - e evidências de restos humanos.
O FBI descobriu ontem açúcar e fios num quarto de hotel de Los Angeles onde se hospedara um tripulante do vôo 990 que reclamou com a gerência que sua mala havia sido remexida. As descobertas serão analisadas, mas até agora, ressaltam os investigadores, não há nada que indique terrorismo.
Parentes das vítimas - na maioria americanas e egípcias - continuaram hoje a chegar a Rhode Island, onde são coordenadas as buscas. As equipes de resgate informaram-lhes que dificilmente serão encontrados cadáveres inteiros. O Egito confirmou que entre os mortos estão 33 oficiais que retornavam de treinamento militar nos EUA. A EgyptAir deverá indenizar a família de cada vítima com US$ 100 mil.





