São Paulo- Investigadores canadenses e peritos da Aeronáutica constataram que o Boeing da Gol só começou a se desintegrar quando estava a 6 mil pés (1.824 metros) de altitude. Ao colidir com o jato Legacy no dia 29, o avião voava rumo a Brasília a 37 mil pés (11.248 metros). A análise do gravador de dados da caixa-preta revelou ainda que, após o choque, o comandante da Gol Décio Chaves Júnior fez força no manche para, possivelmente, tentar estabilizar a aeronave e amenizar a queda.
''É possível afirmar que o avião desceu em ''parafuso'' e em altíssima velocidade'', diz um oficial da Força Aérea Brasileira (FAB). Segundo o militar, o resultado preliminar da perícia feita nos destroços do Boeing mostra que o winglet do Legacy (extremidade da asa com a ponta voltada para cima) apenas ''riscou'' a estrutura do avião. ''Mas devido à velocidade das aeronaves e à pressão exercida nas asas durante o vôo, esse choque foi devastador.''
Já o ministro da Defesa, Waldir Pires, e o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos Bueno, disseram hoje que a análise das duas caixas-pretas do Legacy e do gravador de dados do Boeing não é suficiente para se concluir as causas do acidente. ''É preciso aprofundar as análises, pois não há um quadro conclusivo'', disse Pires. O cilindro de voz da caixa-preta do Boeing continua desaparecido. Segundo o brigadeiro, restam muitas etapas da investigação, como o cruzamento das informações das caixas-pretas entre si e com as gravações dos controladores de vôo. O militar e o ministro insistiram que ''não pode haver precipitação'' e que o objetivo é evitar novos acidentes.
Waldir Pires confirmou que houve um último contato entre os pilotos do Legacy e o controle de vôo de Brasília (Cindacta-1), pouco antes de o jato passar pela capital federal. Segundo o ministro, foi uma conversa ''cordial'', em que os pilotos informaram que voavam a 37 mil pés.
Questionado se os pilotos poderiam ter entendido que deveriam permanecer nessa altitude, Pires respondeu: ''Não quero fazer julgamento, mas a obrigação do piloto é seguir o plano de vôo, que dizia para ele descer a 36 mil em Brasília e subir a 38 mil no ponto Teres''.
O ministro também confirmou que o transponder do jato não estava funcionando na hora do choque. ''Não se sabe se ele estava desligado ou se a interrupção se deu por pane no equipamento'', explicou.
O delegado de Cuiabá (MT) Luciano Inácio da Silva esteve ontem em São José
dos Campos (SP) para ouvir os controladores de vôo que trabalharam no dia 29. Hoje, o delegado federal que investiga o caso, Renato Sayão, irá interrogar um diretor da Embraer, fabricante do Legacy.

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