Rio, 05 (AE) - Para conseguir encerrrar o ano no azul, o Banco Boavista tem planos de realizar ainda este ano uma operação de securitização de dívidas entre US$ 50 milhões e US$ 70 milhões. No primeiro semestre, a instituição teve um prejuízo de R$ 37 milhões decorrente principalmente das perdas com a desvalorização cambial promovida pelo governo no início do ano.
Os fundos do Boavista amargaram um prejuízo de R$ 97 milhões após a mudança nos rumos da política cambial brasileira. A mobilização dos cotistas, que chegaram a entrar na Justiça, levou a instituição a ser a única a ressarcir seus cotistas dos prejuízos em suas aplicações. A carteira de fundos caiu de R$ 600 milhões para R$ 300 milhões em quatro meses. A partir de maio, o banco iniciou uma recuperação e os fundos acumulam hoje R$ 450 milhões em carteira.
O recém empossado presidente do Boavista, Roberto do Valle, explicou que o banco já realizou duas operações de securitização de dívidas no ano passado. A primeira, realizada em junho, foi de US$ 143 milhões, e a segunda, em dezembro, de US$ 120 milhões. Em junho deste ano, os três acionistas do banco - o português Espírito Santo, o francês Crédit Agricole e o grupo Monteiro Aranha, fizeram uma injeção de recursos de US$ 100 milhões.
Para evitar problemas como os do início do ano, a nova direção do Boavista não vai vender fundos de risco em suas 73 agências no País. A distribuição desses produtos ficará restrita aos clientes dessas instituições, que podem ter acesso mais direto às informações sobre o risco e rentabilidade.
Valle quer entrar pesado no mercado de varejo, mas de um modelo classificado por ele como seletivo. "Vamos analisar nossa base de clientes e optar por uma maior segmentação no público com renda acima de R$ 2 mil", afirmou. Segundo ele, o trabalho do banco nos próximos dois ou três anos é consolidar a posição da instituição neste nicho de mercado. Hoje o Boavista tem apenas 0,6% do setor de varejo no País. O projeto inclui dobrar a base de clientes da instituição para 180 mil no período. "Vamos oferecer qualidade", afirmou. "Acredito que em pouco tempo já estaremos disputando o prêmio de qualidade do mercado."
O presidente revelou que o Boavista vai emitir entre US$ 70 milhões e US$ 100 milhões em eurobônus em outubro. A operação será estruturada pelo Banco Espírito Santo e Crédit Agricole. "Estamos captando mais agora porque o mercado deve fechar mais cedo por conta do bug do milênio", explicou. "Queremos evitar um aperto de liquidez." O público do banco será o cliente de maior poder aquisitivo. Mas, os três sócios estão de olho também no pequeno varejo e pretendem abrir uma financeira até o final do ano. "Ainda não está decidido se compraremos uma financeira ou abriremos uma nossa", disse.

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