Brasília, 25 (AE) - O governo usou hoje a solenidade de anúncio do Plano Agrícola da safra 1999/2000 para desmentir os boatos de demissão do ministro da Agricultura, Francisco Turra. O presidente Fernando Henrique Cardoso convocou a imprensa e vários ministros na sala de audiência do gabinete do Palácio do Planalto para prestigiar o ministro Turra. Notícias sobre a demissão do ministro do PPB estão sendo publicadas há pelo menos dois meses. Inicialmente, a saída de Turra seria uma das prioridades do presidente para a reforma ministerial que governo intencionava fazer em julho. Ao ser provocado por jornalistas, ao final da solenidade, Fernando Henrique rebateu irritado a informação de que Turra deixaria o governo. "Já respondi isso dez vezes; não inventem mais nada por favor!", disse.
Além de Turra, estavam presentes ao evento os ministros da Fazenda, Pedro Malan; da Casa Civil, Clóvis Carvalho; de Orçamento e Gestão, Pedro Parente; e de Política Fundiária, Raul Jungmann, que chegou quando o presidente já havia começado o seu discurso. Depois do evento, Francisco Turra disse estar tranquilo sobre a sua situação no governo. "O presidente não assinou carteira para mim, por isso eu sei que há um momento que a gente chega no governo e um momento que a gente sai dele", disse o ministro. Ele rebateu a informação de que já existe uma confirmação sobre sua demissão.
"Não tem sinalização nenhuma", comentou. "Acho que um ministro que fica esperando ser demitido ou esperando sair, é um ministro já demitido", respondeu o ministro com ironia. Ele lembrou que as notícias sobre sua eventual saída do governo são antigas. "Desde o final do ano, nós todos, não apenas eu, temos a nossa demissão anunciada".
Ele atribui os boatos de sua demissão ao bom desempenho da pasta da Agricultura. "O Ministério da Agricultura tem um atrativo especial, porque na agenda positiva foi um ministério que efetivamente figurou. Agora, o presidente não precisa que eu ofereça o meu cargo, já que o cargo é dele", avisou. Aparentando tranquilidade, Turra negou estar magoado com as notícias sobre sua demissão.
Há duas semanas - antes de uma viagem do ministro ao Canadá com finalidades comerciais - o presidente Fernando Henrique garantiu ao ministro da Agricultura sua permanência no governo. "Não se preocupe com essas notícias, pois estou muito satisfeito com o seu trabalho", tranquilizou o presidente. "Se eu tivesse alguma coisa contra o seu trabalho já teria lhe procurado", disse Fernando Henrique para Turra.
Apesar da garantia de que não demitiria o ministro Turra, as palavras do presidente não foram recebidas como uma garantia de que o ministro pepebista ficaria no governo. Até porque numa situação semelhante em abril do ano passado, o então ministro da Agricultura e hoje senador Arlindo Porto (PTB-MG), foi surpreendido com a notícia de sua demissão quando fazia uma viagem para a Austrália.
Foi preciso uma forte reação do PPB, partido de Turra, para que houvesse uma garantia formal do presidente sobre a permanência do ministro da Agricultura. Numa longa conversa ontem (24) por telefone, Fernando Henrique assegurou ao vice-presidente do PPB, deputado Pedro Corrêa (PE), que não iria tirar do seu governo nem Turra, e muito menos o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles. Corrêa havia ligado para o presidente, preocupado com as notícias dos jornais. "Temos tido um comportamento exemplar com o senhor, já que o partido está votando unido com o governo e também não incomoda ninguém em busca de novos cargos", avisou Pedro Corrêa.
Do presidente, o deputado pernambucano ouviu a promessa de que não haveria qualquer mudança dos cargos do PPB no governo. "Os ministros Turra e Dornelles estão apresentando um excelente desempenho no comando de suas respectivas pastas, inclusive contribuindo decisivamente para a melhoria dos níveis de emprego", disse Fernando Henrique. "Estou muito satisfeito com os dois e não vou tirá-los do meu governo", completou o presidente, segundo Corrêa.
Hoje, o líder do PPB na Câmara, deputado Odelmo Leão (MG), saiu em defesa de Turra. "Esse boato de demissão é intriga de quem não quer a estabilidade do governo e está interessado no espaço do PPB", atacou Odelmo. "Não vamos aceitar esse fritura
nem o presidente irá demitir o ministro Turra, já que Fernando Henrique assumiu esse compromisso com o PPB", esclareceu o deputado mineiro.
Durante o discurso que fez para anunciar o Plano Agrícola, o presidente Fernando Henrique comemorou os novos índices divulgados pelo IBGE, que mostram a queda do desemprego de 8,02% em abril, para 7,7% em maio, o que representou a criação de 170 mil vagas. "Estamos retomando a atividade econômica e isso se faz sentir nos níveis de emprego", ressaltou o presidente. "O nível de emprego no mês de maio subiu; portanto, o desemprego foi menor do que o do mês de abril", comemorou.
"Quando se compara maio desse ano com o mês de maio do ano passado, o desemprego esteve maior do que nesse ano". Ele voltou a assegurar que o combate ao desemprego será a sua prioridade de governo. "Nosso compromisso é combater o desemprego", discursou. "Assim como nós fizemos com o plano real, no combate a inflação, agora é um compromisso nacional de uma reativação da economia, não fazê-la apenas em termos de crescimento do produto, mas fazê-la para que signifique também maior ofertas de emprego; e a agricultara é chave para isso", disse.
Fernando Henrique rebateu em seu pronunciamento as pessoas que apostam no fracasso do Brasil. "Essas medidas vão mostrar ao País, que se iludem os que imaginam que o Brasil vai marchar para uma situação caótica de falta de oportunidade de trabalho e de falta de elã para o crescimento da economia", disse. "Esse País tem uma população consciente e trabalhadora; e enquanto eu estiver na Presidência da República não mudaremos o rumo, que há de ser o rumo, progressivamente e sem demagogia, de criar as condições de um Brasil melhor para todos."

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