Washington, 09 (AE-AP) - Para Agnes Cameron foi difícil explicar ao filho Paul, de 11 anos, por que o presidente Bill Clinton mentiu sobre sua relação com Monica Lewinsky e, depois de tanto escândalo, não foi castigado.
Mais complicado foi responder às perguntas sobre a decisão dos Estados Unidos de ajudar os albaneses do Kosovo, bombardeando a Iugoslávia e atingindo, por engano, os próprios refugiados, a vizinha Bulgária e a Embaixada da China em Belgrado.
"Mas o pior para mim tem sido falar com meu filho sobre o massacre de Littleton e a violência nas escolas", contou Cameron.
"Não tenho explicação para dar e dessa vez não posso dizer a ele que não se preocupe, porque isso é coisa de políticos ou é uma tragédia em outro país, que nunca acontecerá no nosso bairro seguro de classe média americana." Ela não é a única buscando uma resposta convincente.
O presidente Bill Clinton convocou uma reunião amanhã (09), na Casa Branca, para entender o que levou os adolescentes Eric Harris e Dylan Klebold a executarem 12 colegas e 1 professor da escola de Columbine - no tranquilo subúrbio de Littleton, no Estado de Colorado - antes de espalharem bombas pelo local e se matarem no dia 20.
Do encontro não participarão apenas políticos, agentes de segurança e educadores. Foram chamados também representantes de Hollywood, das indústrias de Internet e das fábricas de armas, que muitos apontam como os culpados pela violência na sociedade americana.
No mesmo dia, o Congresso começará a discutir propostas de lei para lidar com esse problema. Para Cameron, os debates na Casa Branca e no Congresso foram ofuscados por outro, mais imediato: os rumores de que hoje "algo" acontecerá nas escolas de Montgomery County (a segunda maior cidade de Maryland, onde moram muitas famílias de classe média que trabalham em Washington).
Vários colégios enviaram cartas aos pais dos alunos para tranquilizá-los, explicando que se trata apenas de um boato e não há motivo para suspender as aulas amanhã. "As reações a esses rumores alcançaram o nível de histeria, o que é compreensível, tendo em vista os acontecimentos no Colorado", escreveu Paul Vance, superintendente de escolas e segurança escolar. "Mas é preciso que as pessoas saibam que esses rumores são infundados", acrescentou. O mesmo pânico tomou conta de Washington, na semana passada: em duas ocasiões, os alunos foram retirados das salas de aula, por causa de ameaças de que bombas foram colocadas em algum colégio da capital.
Na quarta-feira, a Murch School - uma das escolas públicas de Washington - decidiu que era hora de treinar os alunos para agir em casos de emergência. Nicholas Nunez, de 5 anos, foi um deles: saiu da sua sala no jardim de infância, formou uma fila com os coleguinhas e todos atravessaram a rua, em silêncio, para esconder- se na igreja vizinha de St. Paul.
"Fui obrigada a contar para meu filho o massacre de Littleron, porque ela tem um irmão maior na mesma escola, que ouviu mais", contou a mãe de outro aluno de jardim de infância de Murch. "Não soube o que explicar e acabei dizendo que existem pessoas que fazem muita estupidez nesse mundo - mas sei que isso não basta."

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