Depois da maioria das universidades públicas e particulares ter divulgado o resultado dos aprovados no concurso vestibular 2002, uma nova fase para os candidatos que pleiteam uma vaga no ensino superior – e não foram aprovados dessa vez – começa. Voltar ao cursinho ou iniciá-lo pela primeira vez, estudar em casa ou simplesmente esperar um semestre para só então começar a maratona. A dúvida persegue os candidatos, que já não sabem se o famoso cursinho preparatório para o concurso é uma boa pedida. Seja para o bolso ou para os estudos.
Este ano, o primeiro colocado nas duas das universidades mais procuradas do Estado – Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC–PR) – não fez o cursinho preparatório. Bruno Fritzen, 17 anos, foi aprovado em Engenharia Elétrica na UFPR e em Matemática na PUC. Ele fez o Ensino Médio no Colégio Bom Jesus, em Curitiba, e antes mesmo de concluir o ano, prestou vestibular de inverno em algumas universidades. Passou em todas. Sorte? A diretora de Ensino Médio da escola, Gisele Hummelgen, ressalta que não é apenas a sorte que conta na hora de prestar o exame. ‘‘Depende muito da escola onde o candidato cursou o Ensino Médio’’, ensina. ‘‘Uma boa estrutura é fundamental’’.
Segundo Gisele Hummelgen, o estudante deve se dedicar durante os anos que antecedem a prestação do concurso vestibular. ‘‘Estudar apenas seis meses antes de prestar o concurso não funciona’’, opina. Para ela, é preciso ‘‘quebrar o estigma do vestibular’’. A ansiedade, segundo a diretora, deve ser trabalhada em conjunto entre a escola e a família. ‘‘O apoio dos pais é imprescindível.’’
Com calma e preparo fica mais fácil enfrentar a maratona que exige o concurso. Fazer ou não o cursinho, vai depender da necessidade do aluno. Dos aprovados no vestibular da UFPR, 30,90% não frequentaram o curso preparatório, 30,80% frequentaram o cursinho por mais de um ano, 25,14% por um semestre e 24,22% frequentaram as aulas por menos de um semestre.
O principal motivo que levou a escolha do cursinho, segundo relatório preenchido pelos candidatos que prestaram o concurso, foi a falta de preparo encontrado nas escolas de Ensino Médio. Dos 4.149 aprovados, 21% optaram pelo recurso porque acreditam que o colégio que frequentaram não preparou adequadamente para o vestibular. Apenas 10% fizeram para atualizar o conhecimento e 5% fizeram o cursinho para aprender os ‘‘macetes’’ do concurso, acreditando que o colégio que frequentaram realiza um bom preparo.

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