Bela Vista do Paraíso - Além da venda de lotes, há outras denúncias de irregularidades envolvendo o assentamento Iraci Salete. Segundo uma fonte ligada ao assentamento, boa parte dos 427 alqueires são arrendadas a produtores da região que usam terras públicas para plantar milho e trigo.
O sistema de arrendamento funciona em cotas. O proprietário do lote ficaria com 20% a 25% da produção, 5% seria destinado ao trabalhador que cuida da terra e o restante fica para o arrendatário.
Pelo menos três grandes arrendatários estariam atuando no assentamento. A equipe da Folha entrou em contato com dois dos supostos arrendatários mas ninguém quis dar entrevista. No assentamento, a reportagem encontrou grandes extensões de área cultivada, superiores a um único lote, com milho na mesma altura e em linha. O que demonstra que o cereal foi cultivado na mesma época.
O ex-assentado Odilon Tavares de Campos faz acusações mais sérias. Segundo ele, há assentados envolvidos em roubo de gado e defensivos na região. ''Já mataram um dentro do assentamento'', conta. Segundo ele, a morte foi motivada por desentendimentos internos.
O inquérito da morte do assentado João Cavalheiro, ocorrida em maio de 1999, está na Justiça à espera de novo prazo. O delegado Aparecido Antônio Gregório investiga um latrocínio ocorrido em junho, cujo corpo foi encontrado na beira da estrada próximo ao assentamento. Segundo o delegado, há suspeitas que os autores sejam ex-assentados do Iraci Salete. Ele afirmou, contudo, que não há registros recentes de roubo de gado ou defensivos na região.

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