Antônio Houaiss não reservou a paixão apenas para as letras: era também um entusiasta da boa culinária. Amante da comida brasileira, prestigiava, sempre que possível, a cozinha local. Entre os diversos livros que publicou
dedicou três ao assunto: ‘‘Magia da Cozinha’’, ‘‘Receitas rápidas, 81 receitas de (até) 18 minutos’’ e ‘‘A cerveja e seus mistérios’’. Bom cozinheiro, gostava de reunir amigos em volta da mesa. Momentos em que as discussões sobre literatura e língua se confundiam com um bom prato de moqueca capixaba, uma das especialidades dele.
Consultor do restaurante Brasserie Europa e do Hotel Marina Porto Angra, o chef Edegar Queiroz lembra do amigo Houaiss como um gourmet que sempre apreciou receitas tipicamente brasileiras. Gosto que o fazia produzir iguarias tão boas quanto as que degustava. ‘‘Uma vez, provei uma moqueca capixaba e senti como se estivesse no litoral do Espírito Santo’’, comenta o chef, que várias vezes encontrou Houaiss comprando frutas, verduras e peixes frescos no mercado.
Queiroz lembra que o filólogo não dispensava a refeição completa. Quando visitava o chef, Houaiss pedia um prato criado por Queiroz batizado como ‘‘Boi Manso’’, um carpaccio de carne de sol. O interesse de Houaiss pela boa cozinha fez com que ele fosse escolhido o patrono do Centro Técnico Gastronômico, que ainda vai ser inaugurado.
Para Houaiss, cozinha era algo ‘‘sobretudo cultural’’. Ele não via nada demais no fato de um homem vestir avental e ficar diante de um fogão.
‘‘Os homens que não se interessam por comer, ou que desprezam a prática da cozinha, são machistas pensando que são mais machos’’, observou.
‘‘Nasci em uma família relativamente pobre e, para mim, era fundamental ver a razão de ser disso’’, comentava Houaiss, para justificar o interesse por assuntos tão variados.
Houaiss casou-se, em 1942, com Ruth Marques de Sales, que morreu em 1988, e não teve filhos.

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