Curitiba - Enquanto alguns resignam-se com a idade, afirmando que ''é aos 40 anos que a vida começa'' e outros rebatem brincando que ''o problema dos 40 é que nunca mais se sai dos enta'', para as mulheres quase que sem exceção passar dos 40 significa, principalmente, a proximidade da menopausa, ou seja, época em que cessa a menstruação e, consequentemente, o período reprodutor. Em média, a menopausa aparece aos 49 anos, mas ela pode iniciar dos 45 até os 55 anos. Os primeiros sintomas são a irregularidade na menstruação e os fogachos, mais conhecido como calorões.
Além dos ''calorões'' desagradáveis, é comum a mulher ter depressão, nervosismo ou instabilidade emocional. Afinal, erradamente por muito tempo se difundiu a idéia de que a menopausa é relacionada ao fim da atividade sexual. Preconceitos à parte, a menopausa reduz a produção de dois hormônios pelo organismo, o estrógeno e progesterona. Para compensar, os médicos recomendam que as mulheres façam a reposição hormonal à base de comprimidos.
Essa alteração hormonal resulta também em mudanças no corpo da mulher. ''Nessa fase acontece uma redistribuição da gordura, que antes ficava mais concentrada nas coxas e nádegas, para a parte do abdômen'', explica a nutricionista da Paraná Clínicas, Flávia Sguario, cuja monografia de conclusão de Especialização em Nutrição Clínica pela Universidade Federal do Paraná aborda os temas ''Obesidade, nutrição e menopausa''.
Para ela, o excesso de peso muitas vezes acontece porque a mulher vai buscar na comida uma compensação para sua ansiedade. ''A consequência é que, com o passar dos anos, o gasto de energia diminui, e essa energia acumulada se transforma em gordura, aumentando os ponteiros da balança'', diz, defendendo a com a obesidade, como diabetes, osteoporose, pressão alta e até doenças cardiovasculares'', afirma.
Foi este o caso de Janice Fogagnoli Castanho, de 53 anos, que começou a sentir os efeitos da menopausa aos 48 anos. ''Eu engordei mais ou menos 20 quilos desde a menopausa'', conta ela, que só há um ano começou a fazer tratamento de reposição hormonal. Também há uma ano iniciou tratamento com a nutricionista Flávia. De lá para cá, ela perdeu 19 quilos e reduziu a taxa de glicemia do sangue (que determina a diabetes) de 101 para 87. ''Antes eu comia pouco, só duas vezes por dia, mas era uma chocólatra, fazia tudo errado. Hoje como seis vezes ao dia, mas faço refeições balanceadas. Posso comer até pizza, mas com moderação'', diz.
De acordo com a nutricionista, a dieta ideal para a mulher nessa fase deve incluir grãos integrais, frutas, verduras, além do leite e seus derivados que previnem a osteoporose. As fibras são muito importantes, mas devem ser ingeridas sem excesso caso contrário, elas inibem a ação do cálcio no organismo. Alimentos ricos em vitaminas C e E, além do zinco, selênio e manganês diminuem a ação dos radicais livres, substâncias que aceleram o envelhecimento. A soja é um alimento que atenua os sintomas do calorão, mas deve ser comida com moderação, pois é muito calórica.

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