BNDESPar venderá lote de ações ordinárias da Light
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quinta-feira, 16 de dezembro de 1999
Por Maria Fernanda Delmas e Mônica Ciarelli 
Rio de Janeiro, 16 (AE) - A BNDESPar, subsidiária do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), venderá entre o final de fevereiro e março o lote de ações ordinárias da Light vinculadas ao acordo de acionistas, que representam 9,23% do capital total. O preço mínimo deverá ser de R$ 391 por mil ações, ou R$ 506,3 milhões.
Em janeiro, a BNDESPar também coloca à venda ações ordinárias comuns da Light _ 23,11% do capital - e papéis preferenciais da Eletropaulo Metropolitana - 35,6% do capital. O lote de Light referente ao acordo de acionistas, de 1.294.974.174 ações, será licitado em um processo específico.
Os interessados terão 30 dias - a partir de hoje, quando foi publicado o comunicado - para se pré-qualificar. Os outros signatários do acordo poderão vetar interessados, caso haja justificativa, até 30 dias depois do fim da pré-qualificação. Definidos os pré-qualificados, a BNDESPar terá 15 dias para publicar o edital de licitação.
"Sabemos que há um interesse grande", afirmou o superintendente de mercado de capitais do banco, Sérgio Weguelin. Fontes no mercado financeiro especulam: os principais interessados pelos papéis são os próprios controladores da Light
que não gostariam de ver um novo player ditando ordens na companhia.
Até a sexta-feira da semana passada, a BNDESPar aceitou propostas de instituições financeiras para as ações. Houve duas propostas para o lote do bloco de controle, e o maior, de um interessado não identificado, é que deve determinar o preço mínimo.
O preço não será estendido ao outro lote de Light, de 3.241.089.199 ações. A venda será por meio de distribuição secundária em um leilão especial em Bolsa de Valores, com garantia firme de aquisição. O edital deve ser publicado no início de janeiro, marcando o leilão para o mesmo mês. "Já estamos dando entrada no pedido de registro na CVM", informou Weguelin.
O procedimento será o mesmo para o lote dos 14.892.918.545 papéis preferenciais da Metropolitana. Segundo o superintendente
o Banco Brascan já deu garantia firme para esses dois lotes. No total, as ações dos três lotes valem "pouco mais de R$ 2 bilhões", estimou recentemente o diretor-superintende da BNDESpar e diretor de desestatização do banco, José Luiz Osório.
A venda de ações da Light e da Metropolitana dá início a um processo de venda de um volume grande e estratégico de ações pelo banco. O presidente do BNDES, Andrea Calabi, já afirmou que R$ 1,2 bilhão em ações da Vale e R$ 3,3 bilhões em ações da Petrobrás - papéis do governo federal administrados pelo banco - devem ser vendidos no segundo trimestre do ano que vem.
A venda das ações da Petrobrás pode esbarrar em uma decisão da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, que votou anteontem uma proposta para proibir o governo federal de vender ações ordinárias da estatal em poder da União. Se não houver impedimento, o mercado discute ainda a velocidade de absorção de todos esses papéis.
O presidente do Dresdner Bank no Brasil, Winston Fritsch, avalia que será difícil vender todas as ações em um espaço de tempo curto, como os próximos seis meses. "Pode até acontecer, mas os preços obtidos não serão tão atraentes", explicou.
Para o diretor de Renda Variável do Fleming Graphus, Ivan Magalhães, as operações dependem basicamente do cenário econômico da época. "Se o dólar se estabilizar e a inflação baixar, o banco consegue colocar boa parte dessas ações", avaliou.


