Rio, 28 (AE) - O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) selou hoje um empréstimo para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES): US$ 1,2 bilhão, dinheiro que será repassado a micro, pequenas e médias empresas. "Esse contrato e o que assinamos com o BID no começo do ano, de US$ 1,1 bilhão, são os maiores empréstimos que o BNDES já tomou", afirmou o presidente em exercício do banco, José Mauro Carneiro da Cunha.
O contrato foi assinado na sede do BNDES por Carneiro da Cunha, pelo presidente do BID, Enrique Iglesias, e pelo representante da União, o procurador-geral da Fazenda Nacional, Almir Bastos. O ex-presidente do BNDES, José Pio Borges, que pediu demissão recentemente, e seu sucessor, Andrea Calabi, assinaram o contrato como testemunhas, mas não quiseram falar com a imprensa. "Só na sexta-feira", disse Calabi, referindo-se à data de sua posse.
A primeira parcela do empréstimo, de R$ 350 milhões, será liberada já neste mês. Na ocasião, o BNDES terá de pagar uma taxa de entrada (front fee) de 1% sobre o valor total. Até dezembro, deverão estar liberados de R$ 700 milhões a R$ 750 milhões.
O empréstimo tem caráter de emergência e, por isso, embute juros mais altos. As condições são taxa Libor mais 4% ao ano - o equivalente a cerca de 9% ao ano no total. O prazo é de cinco anos.
No primeiro empréstimo de 1999, o prazo acertado para pagamento é de 20 anos e as taxas são, em média, de 6,90% ao ano. Os US$ 2,3 bilhões que o BNDES está recebendo com os dois empréstimos fazem parte do montante de US$ 4,5 bilhões que o BID disponibiliza ao Brasil este ano, em função do pacote de ajuda coordenado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
Os recursos servirão para alimentar duas linhas de crédito mantidas pelo BNDES: Finame e BNDES Automático (operações de repasse via agentes financeiro). O banco cobra dos tomadores a Taxa de Juro de Longo Prazo (TJLP) mais 1% ao ano. Além disso, há uma taxa de risco (spread) de até 2,5%. Os prazos médios são de 6 a 7 anos.
"Nós devemos apoiar a balança de pagamentos do Brasil e os setores sociais. Por isso estamos aqui", afirmou o presidente do BID. Iglesias chamou o empréstimo de inovador, por ser especialmente direcionado às micro, pequenas e médias empresas. "A América Latina tem de reconhecer que tem esse recurso adormecido, e precisa acordá-lo com crédito".

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