BNDES vai financiar projeto "Mãe-Canguru" da UFRJ
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de agosto de 1999
Por Roberta Pennafort, especial para a AE 
Rio, 18 (AE) - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinou hoje contrato com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que prevê apoio financeiro ao projeto "Mãe-Canguru", desenvolvido pela maternidade-escola da universidade para tratamento de bebês prematuros. No programa, o corpo da mãe substitui a incubadora, provendo calor e leite para o filho, o que reduz o tempo de permanência de ambos no hospital e também os custos de internação.
O contrato prevê ajuda de R$ 679 mil à maternidade-escola, que funciona no bairro de Laranjeiras, na zona sul do Rio, e atende a população carente, fornecendo aulas práticas a alunos de várias faculdades da área de saúde e assistência social da UFRJ. Segundo o professor Marcus Renato de Carvalho, especialista em atendimento neonatal, o método "mãe-canguru" tem muitas vantagens em relação ao tratamento tradicional dispensado a bebês prematuros.
"A criança fica em uma espécie de bolsa amarrada ao corpo da mãe, o que proporciona o calor necessário a seu crescimento. Além disso, a proximidade facilita o vínculo afetivo entre mãe e filho e estimula a amamentação precoce, o que protege a criança contra infecções", explicou Carvalho. O método foi criado na Colômbia há 20 anos e atualmente é adotado em mais de 30 países.
De acordo com a maternidade-escola, a estada do bebê prematuro em uma encubadora custa R$ 80 por dia; pelo "mãe-canguru", R$ 16. O tempo de tratamento também é bastante reduzido: na incubadora, a criança fica de 30 a 90 dias e, junto à mãe, cerca de duas semanas, ou até que se complete o total de 40 semanas de uma gestação normal. Somente bebês saudáveis podem dispensar a incubadora, uma vez que infecções pré-existentes e distúrbios respiratórios ou neurológicos precisam ser tratados pelo método tradicional.
Com o contrato, o BNDES se compromete a ampliar e melhorar as instalações da maternidade, o que pode ser estendido a instituições de outras cidades. Hoje, 15 locais adotaram o método no Brasil. Este ano, o Ministério da Saúde começou uma campanha de divulgação do "mãe-canguru", que deverá ser implementado em hospitais públicos.


