BNDES vai financiar projeto de cobre no Pará
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quarta-feira, 14 de abril de 1999
Por Carlos Mendes 
Belém, 15 (AE) - O governo federal resolveu intervir para salvar o Projeto Salobo, avaliado em R$ 4 bilhões, que pretende transformar o Brasil de importador em exportador de cobre na primeira década do próximo milênio. O projeto vai explorar, durante os próximos 30 anos, uma jazida de 1,2 bilhão de toneladas de cobre no município de Tarauapebas, no sudeste do Pará.
A Companhia Vale do Rio Doce, dona do projeto em associação com a multinacional sul-africana Anglo American e o próprio BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), considerou o empreendimento inviável devido à queda do preço do cobre no mercado internacional. A decisão de desistir do Salobo ou repassá-lo para outro grupo interessado na exploração foi comunicada no início desta semana pelo presidente da Vale, Jório Dauster, ao governador do Pará, Almir Gabriel (PSDB).
Ontem, em Brasília, Gabriel ouviu do presidente do BNDES
Pio Borges, que o banco vai abrir linha de crédito especial para grupos brasileiros e estrangeiros que quiserem participar do Projeto Salobo. A forma de financiamento será definida dentro de 30 dias, segundo Borges.
Ele disse ao governador ter ficado surpreso com a posição da Vale de desistir do projeto, mas acrescentou que o BNDES tem o "máximo interesse" em explorar as minas de cobre para que o Brasil deixe de importar o produto do Chile e da Bolívia. No ano passado o País gastou US$ 600 milhões com a importação de concentrado de cobre, o que representou cerca de 10% do déficit da balança comercial brasileira. A previsão da Vale do Rio Doce com a exploração das minas do Salobo é faturar R$ 18 bilhões. Metade desse valor seria em moeda estrangeira.


