BNDES vai financiar operação de venda de aviões para a Crossair
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domingo, 13 de junho de 1999
Por Suely Caldas 
Rio, 14 (AE) - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai financiar 100% da operação de venda de 200 aviões para a Crossair, subsidiária da Swissair, que totaliza US$ 4,9 bilhões, anunciou o presidente do BNDES, José Pio Borges, por telefone, de Paris, para a Agência Estado. Das 200 aeronaves, 160 - de 90 e 108 assentos - pertencem a duas novas famílias que a Embraer ainda não fabrica. "O desempenho da Embraer na feira de La Bourget foi extraordinário", afirmou Pio Borges.
Ele anunciou também que outras duas empresas de aviação - a italiana Alitália e a norte-americana Transtate - deverão anunciar, esta semana ainda, duas outras encomendas, que totalizam 150 aeronaves, a maioria das famílias antigas, de 35 e 45 lugares. As três operações totalizam US$ 7,7 bilhões de exportações para a Embraer. É possível, aposta Pio Borges, que no decorrer desta semana novas negociações sejam concluidas na feira de La Bourget.
Na operação de venda para a Crossair, a Embraer derrotou duas importantes competidoras - a canadense Bombadier e a alemã Fairchild. Nos últimos anos, a Fairchild ostentava o título de maior fornecedora de aviões para a Crossair. "É uma grande vitória para a Embraer afastar a Fairchild", comentou Pio Borges. Segundo o presidente do BNDES, duas razões principais determinaram a escolha da Embraer: 1. as características das duas aeronaves, que se adaptavam ao interesse da Crossair: 2. o fato de os dois tipos que serão fornecidos atenderem às exigências ambientais. "Características de barulho de vôo e queima de combustível estão a 50% do limite máximo exigido, portanto a Embraer está bem colocada na questão ambiental", afirmou Pio Borges.
O financiamento oferecido pelo BNDES foi também fundamental na negociação. O banco vai financiar o comprador, a Crossair, na totalidade da operação (US$ 4,9 bilhões), liberando os recursos, à vista, no ato da entrega das aeronaves. A Crossair terá prazo de pagamento de 12 anos e pagará taxa de juros equivalente a libor inglesa. "A equalização de taxas será feita pelo Proer", explica Pio Borges, referindo-se ao programa de exportação que banca a diferença de juros entre a taxa do BNDES e a libor. A primeira entrega será efetuada no ano 2.000 e o restante obedecerá um cronograma anual que se prolonga até 2.005. Para a primeira entrega, revela Borges, o BNDES já recebeu ofertas de bancos europeus e norte-americanos, interessados em comprar o crédito do banco brasileiro, em operação de refinanciamento, até um limite de 85% do valor financiado.


