Rio, 14 (AE) - A Intelig (ex-Bonari), empresa-espelho da Embratel, vai financiar 50% de seus projetos com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de agentes internacionais de crédito. A outra metade virá dos três acionistas: a inglesa National Grid, a americana Sprint e a France Telecom.
O BNDES já teve algumas reuniões com a diretoria da Intelig. "Já há contatos preliminares", afirmou a chefe do departamento de telecomunicações do banco, Cristina Fontainha. Se a empresa se enquadrar nos índices de nacionalização de fornecimento exigidos, o BNDES tem interesse em financiá-la. Por meio do Programa de Apoio a Investimentos em Telecomunicações, o banco se propõe a emprestar dinheiro a operadoras que comprem equipamentos, componentes, partes e peças fabricados no Brasil, ou aos próprios fabricantes que produzirão localmente. "Mas nunca como únicos financiadores", lembrou Cristina.
O investimento da Intelig previsto para os próximos quatro anos é de R$ 2,8 bilhões. Depois desse período, a empresa quer aumentar a proporção dos financiamentos para 60% do investimento, segundo o presidente do Conselho Administrativo, Wob Gerretsen. A empresa, que entra em operação na segunda quinzena de dezembro, incluiu no contrato com os fornecedores a exigência do levantamento de recursos.
Hoje a Intelig anunciou os fornecedores de infra-estrutura - dutos, sistemas de informática, equipamentos de transmissão, cabos de fibra óptica e centrais telefônicas - com os quais assinará um contrato final este mês, no valor total superior a R$ 500 milhões: Alcatel do Brasil, Nortel Networks do Brasil, Hewlett Packard Brasil, Cap Gemini e a brasileira Engeset, do grupo mineiro Algar. Na escolha, a Intelig levou em consideração as especificações dos serviços, o preço e o suporte técnico, além da capacidade de financiamento.
Apesar de não ter assinado contratos definitivos, os fornecedores já estão trabalhando para a Intelig e os equipamentos das duas centrais telefônicas, que serão instaladas no Rio e em São Paulo, já foram embarcados para o Brasil. Até 2002, haverá 14 centrais.
A Engeset começou a instalar fibras ópticas fornecidas pela Alcatel no primeiro trecho de 500 quilômetros entre Rio e São Paulo, em dutos alugados da empresa de transmissão de dados, voz e imagem MetroRED. No ano que vem, uma segunda rota será construída entre Rio e Belo Horizonte.
A Intelig firmou outros contratos de aluguel, por exemplo, com a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) - para permitir a conexão entre os cabos de fibra óptica e o centro de operações em São Paulo. "Teremos 8,5 mil quilômetros até o final do ano que vem", afirmou o vice-presidente de operações, Ben Buley. Embratel, Telefônica, CTBC Telecom, Telemar e Sercomtel estão alugando linhas para a Intelig, até que toda a estrutura própria esteja pronta.
Em dezembro, a Intelig estará disponibilizando ligações interurbanas e internacionais. A empresa já começou a conversar com empresas de todos os portes e acredita que, antes da entrada em operação, já terá contratos firmados com clientes. A partir do segundo trimestre de 2000, a Intelig deverá explorar os serviços de 0800 com telefonista e cartões pré e pós-pagos.

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