BNDES vai financiar fusão de petroquímicas
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quinta-feira, 01 de abril de 1999
Por Jô Galazi 
Rio, 02 (AE) - O processo de reestruturação do setor petroquímico, que vem sendo ensaiado há mais de cinco anos, deverá concretizar-se este ano. O BNDES financiará as aquisições e fusões que os grupos hoje atuantes precisem fazer para a montagem de duas grandes companhias: uma em torno da Copene, no pólo petroquímico de Camaçari, na Bahia, e outra em torno da Copesul, no pólo gaúcho. No primeiro, o grupo empresarial dominante será o Ultra e no Sul, juntos, atuarão a Odebrecht e a Ipiranga. O grupo Suzano, que o próprio BNDES alinha no Nordeste
na verdade quer formar um terceiro bloco, no eixo Rio-pólo de Capuava, em São Paulo.
À parte o desenho final que, reconhecem todos, ainda não se sabe qual será, sem uma rearrumação, segundo o presidente do BNDES, Pio Borges, as empresas nunca conseguirão ter porte suficiente para atrair investidores do mercado de capitais. De acordo com Pio Borges, a participação que o BNDES terá na reorganização da petroquímica não significa uma mudança radical em relação ao papel que o banco desempenhava no primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso: o de executor de políticas que o próprio mercado planejava. "Há muitos anos percebemos a necessidade de reestruturação na petroquímica e vamos financiar o que for preciso, mas seremos coadjuvantes, e não o ator principal do processo", frisa.
A intenção é de que existam pelo menos duas grandes empresas petroquímicas no Brasil, que serão fortes e com um alto grau de competição e de competitividade. Para a reestruturação, o primeiro passo será, diz ele, a consolidação dos dois grandes pólos petroquimicos (o do Nordeste e o do Sul). O conceito básico é o de que a central de matérias-primas de cada região (a Copene, na Bahia, e a Copesul, no Rio Grande do Sul) e pelo menos algumas das empresas fundamentais da segunda geração sejam integradas, resultando disso uma companhia em cada pólo. Hoje, lembra Pio, as empresas de segunda geração, que são as consumidoras do eteno produzido nas centrais - matéria-prima básica da petroquímica - participam acionariamente das mesmas centrais. Com a reestruturação, esse tipo de relacionamento desapareceria, pois em vez de ser acionista-consumidor, a empresa de segunda geração faria parte da companhia resultante da rearrumação.
O fato de os consumidores das centrais serem também seus acionistas, na avaliação de Pio Borges, talvez tenha sido a principal causa pela qual a petroquímica perdeu atratividade do ponto de vista do mercado de capitais. "Ficou uma certa desconfiança, não importa se certa ou errada, de que as centrais não são justas para com os acionistas em geral, mas só com os acionistas-consumidores", reforça.
Para o presidente do BNDES, quando as principais empresas de segunda geração estiverem integradas na central, em uma grande empresa verticalizada, não apenas a companhia resultante terá ganhos de sinergia, como também poderá voltar a atrair os investidores do mercado de capitais.
O projeto do pólo de Paulínia, explica Pio Borges, por enquanto é apenas uma intenção, justamente por falta de dinheiro. "Acreditamos que à medida que o setor for reestruturado, as empresas petroquímicas terão recursos suficientes para fazer Paulínia deslanchar, assim como o pólo do Rio." Ele explicou ainda que quem integrar a grande companhia de um pólo não poderá estar no outro, a não ser que sejam investidores financeiros. Mais: a companhia que fizer os investimentos para tocar o pólo de Paulínia não poderá ser a que empurrará o do Rio. "Tanto pode a companhia em torno da Copene fazer o pólo do Rio e a que estiver com a Copesul encarregar-se do de Paulínia, ou vice-versa: só não poderão estar em todos."
Financiamento - O BNDES entrará na operação ajudando na arrumação e fornecendo financiamento. Se a Odebrecht vender a sua parte para o grupo Ultra na Bahia, por exemplo, o banco poderia financiar a aquisição. Outros órgãos, incluindo fundos de pensão, poderão também atuar como financiadores, já que com a reestruturação o setor deverá ser muito rentável, lembra Pio Borges. Ele não diz quanto o banco está reservando para a operação, mas no mercado fala-se em até US$ 1 bilhão.


