Rio, 27 (AE) - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deverá criar, ainda este ano, uma subsidiária que será o Eximbank brasileiro, ou seja, um banco novo para se dedicar exclusivamente ao comércio exterior. A informação foi dada hoje pelo ministro do Desenvolvimento, Celso Lafer, e pelo presidente do BNDES, José Pio Borges. De acordo com Lafer, mesmo antes da criação do Eximbank o BNDES e todo o governo darão total apoio aos projetos de substituição de importações nos setores cujos produtos contenham muitos componentes importados. Lafer explicou que ainda não se fez um levantamento destes setores e frisou que todo o apoio que o governo dará a eles não inclui nenhum tipo de protecionismo.
Os dois deram entrevista à imprensa pouco antes da posse de Pio na presidência do BNDES. O ministro explicou que a intenção é a de atingir também a pequena e média empresa, que ainda não tem um papel de destaque compatível com a sua importância na economia. Também conforme ele, o impacto da desvalorização do real nos diversos setores ainda está sendo medido, mas lembrou como exemplares os casos dos setores de química e automobolístico, que usam grande quantidade de insumos e componentes vindos de fora. Os foruns setoriais que o ministro coordena deverão mostrar a influência da alta do dólar na sua cadeia produtiva.
Ele não tem dúvidas de que o encarecimetnos destes produtos, aliado a um apoio organizado e sem protecionismos será capaz de elevar substancialmente o conteúdo nacional de uma enorme gama de bens. A rigor, o que o governo pretende é estender aos demais setores o que já vinha fazendo na área de telecomunicações, em que o BNDES oferece crédito em condições facilitadas a quem produzir componentes de celulares no Brasil, por exemplo. Não se trata de crédito com taxas de juros subsidiadas, mas sim financiamentos em que o banco entra com uma participação maior do que a costumeira, que fica em torno de 60% do total do empreendimento - tanto para os produtores do bem como para as empresas que compram deles -, além de outras facilidades.
Exportações - Lafer e Pio Borges explicaram que o BNDES dispõe este ano, para financiamento às exportações, de cerca de R$ 3,5 bilhões - o orçamento de investimentos total do banco para 99 situa-se em R$ 20 bilhões. Cerca de US$ 1 bilhão o BNDES deverá captar no exterior por meio de títulos recebíveis de grandes empresas importadoras de produtos brasileiros, como os da American Eagle, pertencente à Américan Air Lines, que comprou aviões da Embraer. Suas notas promissórias serão transformadas em títulos e negociadas no mercado internacional. Neste caso, não há dificuldades para colocar os títulos, já que eles nada têm a ver com o Brasil e seus riscos, uma vez que estão lastreados em dívidas de empresas estrangeiras sólidas. Outros US$ 2,2 bilhões entrarão por intermédio de operações já contratadas com o Banco Mundial e com o Eximbank do Japão.
Pio Borges disse que diante dos obstáculos que os exportadores brasileiros deverão encontrar este ano para obter crédito no exterior, a demanda pelos recursos do BNDES poderá ser grande. Assim, os R$ 3,5 bilhões talvez não bastem. Se isso ocorrer, lembrou, o banco retirará recursos que esperava emprestar a outros setores que venham a precisar menos de dinheiro em 99, já que com a crise muitos deverão adiar planos de investimentos. Simultaneamente, ressalvou, outros setores deverão querer mais dinheiro, por terem investimentos obrigatórios, como o de telecomunicações. Por isso, o BNDES optou por manter seu orçamento em R$ 20 bilhões, apesar da crise.
De forma geral, tanto no entender dele como no de Lafer, os R$ 20 bilhões do orçamento do BNDES serão suficientes este ano. Em 98, o orçamento era de R$ 17 bilhões mas o banco terminou desembolsando um total de R$ 21,5 bilhões, tão grande foi a demanda. Lafer disse que ainda não tem uma estimativa para o percentual do Produto Interno Bruto (PIB) que será investido no Brasil em 99. No ano passado foram 18,5% do PIB. Ele também afirmou não ter uma projeção para o comportamento do próprio PIB.

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